A saída de Vivão na reta final de ‘Casa do Patrão’ repete um roteiro conhecido dos fãs de realities.
Muda a emissora, mudam as regras, mas o comportamento do público continua praticamente o mesmo.
Vota-se com o coração, e não pensando na garantia do entretenimento.
O competidor que provoca discussões, cria rivalidades e rende memes desperta amores e ódios.
Como consequência, quase sempre acaba eliminado antes da hora.
Enquanto isso, o participante mais discreto, que evita conflitos e entrega poucos momentos interessantes, avança à final.
Os exemplos se repetem. No ‘BBB 21’, Karol Conká protagonizou algumas das situações mais polêmicas da história do programa e saiu com rejeição recorde.
Para muitos, a eliminação foi justa pelo comportamento abusivo da cantora. Mas, do ponto de vista do show, o reality perdeu sua principal antagonista e boa parte da tensão.
No ‘BBB 22’, Jade Picon deixou a casa quando alimentava a rivalidade eletrizante contra Arthur Aguiar. O principal enredo da edição chegou ao fim precocemente.
Na Record, aconteceu o mesmo em ‘A Fazenda 17’. Caótica, Yoná Sousa dividia opiniões, mas movimentava a disputa ao enfrentar os rivais e criar situações engraçadas. Foi tirada cedo demais.
O paradoxo é que o mesmo público que elimina os personagens explosivos costuma reclamar, pouco depois, que “o programa esfriou”, “ninguém faz mais nada” ou “só sobraram plantas”.
Cada telespectador tem a liberdade de votar como quiser, porém, não deveria decidir baseado apenas no gosto pessoal ou dominado pela traiçoeira impulsividade.
Quem está aqui fora deveria ter tanta estratégia quanto quem joga lá dentro. É assim que se constrói uma edição extraordinária de reality show. Algo, aliás, cada vez mais raro de se ver.