Mariana Maffeis fez uma escolha. Segue o Vedanta Vaishnava, tradição filosófica do hinduísmo que reconhece Vishnu ou Krishna como a manifestação suprema de Deus.
Seus ensinamentos defendem que a alma é eterna e pode desenvolver uma relação pessoal com o divino por meio da devoção.
Resumidamente: a pessoa cuida mais do espírito e se desapega da vida material.
No interior de São Paulo, onde vive com o marido e quatro filhos, Mariana administra uma pequena propriedade rural, dá aulas de Yoga e promove degustação da culinária védica.
Uma realidade desconectada do universo de luxo e glamour de sua mãe, Ana Maria Braga, que se divide entre uma mansão nos Jardins, os estúdios da Globo, uma fazenda cinematográfica e as viagens ao exterior.
Ao ser entrevistada no quadro ‘Pode Perguntar’, do Fantástico, a estrela do ‘Mais Você’ classificou de “radical” o estilo de vida de Mariana, que optou por partos em casa, ‘homeschooling’ (educação dos filhos com tutores, sem ir à escola) e proibição de acesso a dispositivos eletrônicos.
Pronto. O mundo ‘moderno’ imediatamente se revoltou contra Mariana. O tribunal da internet, sempre à caça de uma polêmica, passou a julgá-la como se fosse uma extremista ou uma alienada.
Ela reagiu, pacificamente. Explicou que sua vida não tem nada de simples. Possui acesso a várias facilidades e privilégios de quem tem boa condição financeira.
Deixou implícito que só não quer o modo de vida associado ao consumismo, aos modismos e à ostentação.
Vale repetir: Mariana fez uma escolha.
Ela aproveitou bem o outro lado. Na juventude, frequentou baladas, se vestiu com marcas desejadas, foi dona e chef de restaurante badalado, posou várias vezes para a capa de ‘Caras’, enfim, usufruiu da condição econômica proporcionada pela mãe famosa e rica.
Poderia ser, hoje, também apresentadora de TV, ou uma empresária com faturamento milionário, ou uma socialite-influencer, ou simplesmente alguém vivendo de renda. Aliás, não há nada de ilegítimo em qualquer um desses caminhos.
Compreende-se a preocupação materna de Ana Maria Braga e também o estranhamento nas redes sociais causado pela guinada incomum de Mariana.
Em uma época em que o sucesso e a felicidade são medidos por tempo de visibilidade, número de seguidores e quantidade de símbolos de status (roupas, joias, carros etc.), qualquer marcha na direção oposta desperta surpresa.
Concorde-se ou não como Mariana Maffeis conduz a própria vida, parece evidente que sua decisão não nasceu da falta de opções, mas justamente do excesso.
Ela apenas rejeita um mundo que não faz mais sentido para sua existência. Uma postura corajosa que pode chocar e incomodar.
Séculos atrás, filósofos como Sêneca e Epicuro já alertavam: menos é mais, viva o prazer de desfrutar da qualidade, não da quantidade.
No livro ‘Walden’, lançado em 1854, o escritor e filósofo Henry David Thoreau narra sua imersão na natureza para uma experiência humana mais contemplativa e autossuficiente.
Em determinado trecho, ele sugere a maior lição para uma pessoa ser mais feliz com ela mesma e com o mundo ao seu redor: “Simplify! Simplify!”. Simplificar, só isso.