Por que apresentadores consolidados deixam a TV para arriscar uma entrada na política

Mudanças no mercado televisivo, ascensão das redes sociais e a força política das emendas ajudam a explicar a migração de comunicadores

14 jun 2026 - 12h28
(atualizado às 12h28)

Na sexta-feira (12), Sikêra Júnior anunciou ao vivo seu afastamento da TV A Crítica para se lançar a deputado federal por São Paulo. 

Disse que a candidatura foi proposta pelo governador do estado, Tarcísio de Freitas.

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Quatro dias antes, José Luiz Datena solicitou a rescisão de seu contrato com a TV Brasil, onde estreou em março.

O objetivo é também disputar uma vaga na Câmara pelo maior colégio eleitoral do país.

Outros famosos do jornalismo e do entretenimento tentarão entrar na política nas eleições de outubro.

Entre eles, a apresentadora Silvia Abravanel, a musa fitness Gracyanne Barbosa e o influenciador e ex-A Fazenda Rico Melquiades.

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Datena e Sikêra querem uma vaga na Câmara dos Deputados: a TV já não é tão interessante para muitos famosos
Datena e Sikêra querem uma vaga na Câmara dos Deputados: a TV já não é tão interessante para muitos famosos
Foto: Reproduções

O esvaziamento da televisão 

O que faz um apresentador com carreira sólida e situação atual estável se aventurar numa imprevisível corrida por votos?

Voltemos a Sikêra e Datena.

Ambos já são ricos e têm futuro financeiro garantido. 

Diante as câmeras, atingiram o auge em sua área, o jornalismo policial, e assistem agora às dificuldades do veículo diante da mídia digital.

A política representa um desafio capaz de tirá-los da zona de conforto e experimentar um novo tipo de poder.

Um mandato na Câmara dos Deputados, hoje, oferece uma influência que supera aquela exercida por um comunicador de televisão aberta. 

Além da visibilidade nacional proporcionada pelo cargo, parlamentares têm acesso a emendas orçamentárias milionárias, capacidade de intermediar demandas junto a ministérios e órgãos federais e participação direta em decisões que afetam estados e municípios.

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Se, no passado, a TV era a maior ferramenta para moldar a opinião pública, a fragmentação da audiência e a ascensão das plataformas digitais reduziram parte da relevância das emissoras tradicionais.

Redes sociais como Instagram, TikTok e X podem proporcionar uma popularidade tão grande quanto à de aparecer diariamente em um programa jornalístico.

Outro aspecto é a própria transformação do mercado televisivo. Salários elevados tornaram-se mais raros e há gradual perda de status.

Não por acaso, a trajetória de apresentadores rumo às urnas deixou de ser exceção. 

Exemplos como o do jornalista Celso Russomanno, que finaliza seu sétimo mandato consecutivo na Câmara, servem de estímulo para que outros profissionais de vídeo tentem chegar à Brasília.

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