O debate presidencial marcado para 14 de setembro, organizado por um ‘pool’ de 11 empresas de comunicação, incluindo o Terra, foi cancelado devido à não confirmação da presença de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Os dois candidatos à frente nas pesquisas de intenção de voto também não compareceram ao encontro da Band, em 23 de agosto.
Não ir a um debate na TV é uma estratégia arriscada.
Por um lado, poupa o político de ficar superexposto e, eventualmente, apresentar um desempenho ruim que o faça perder votos.
De outro, transmite a impressão de que ele foge do confronto direto com os adversários por dever explicações à população.
E como as emissoras são afetadas pelo cancelamento de debates?
A não realização enfraquece a TV por tirar dela a oportunidade de colaborar com os eleitores, principalmente os indecisos.
O cancelamento também reduz o protagonismo das emissoras como espaço de comparação entre diferentes projetos políticos.
Mas, ao evitar os debates televisionados, esses presidenciáveis comprovam justamente o poder de influência da velha televisão.
Eles reconhecem a força que a TV ainda tem de repercutir suas declarações nos quatro cantos do país e pautar outras mídias.
Por isso, preferem se resguardar, mesmo sabendo que a ausência poderá ser interpretada como sinal de fraqueza.
As redes sociais são facilmente manipuláveis. Os marqueteiros têm total controle sobre o conteúdo publicado nos perfis oficiais dos candidatos.
Já um debate na TV não permite esse tipo de controle.
Apesar das regras restritivas acordadas entre as campanhas, os presidenciáveis sempre poderão ser surpreendidos. E não há como apagar um constrangimento ao vivo.
Lula e Flávio já sentiram isso na pele.
O petista enfrentou Fernando Collor no último debate do segundo turno, em 1989. No dia seguinte, suas hesitações e dificuldades para responder foram destacadas pela imprensa. Perdeu a eleição.
Já o filho de Jair Bolsonaro viveu seu pior momento em um confronto entre candidatos a prefeito do Rio, em 2015. Passou mal no palco e precisou ser retirado do estúdio. Terminou em 4º lugar e não foi ao segundo turno.
A TV perdeu parte de seu poder para os meios digitais, mas ainda pode levantar ou derrubar um presidenciável.