Parte das redes sociais reagiu mal à estreia do ‘Diário de Virginia’ no ‘Domingão com Huck’.
Reclamou do formato que se assemelha a um reality show sobre a presença da influenciadora na Copa.
Esperavam o quê? Uma análise técnica sobre o futebol?
Ela entregou o que seu público espera: câmera ligada sem roteiro e espontaneidade bem-humorada.
Mostrou partes de Nova York como se fosse uma turista de primeira viagem, acompanhada do amigo Lucas Guedez.
A edição usou a linguagem da interface do TikTok, o aplicativo de vídeos curtos que se tornou a rede social preferida dos millennials.
O quadro acerta ao não engessar Virginia nem ter a pretensão de ser uma revolução criativa.
Reproduz a mesma celebridade vista diariamente nos vídeos caseiros da web.
Para alguns, um completo vazio existencial agravado pela divulgação de bet.
Mas, para os 100 milhões de seguidores, é uma diva inspiradora.
O ‘Diário’ parece ter sido criado para falar com um público que tradicionalmente não acompanha futebol.
Virginia é o produto e também a ponte para milhões de jovens que talvez não assistissem ao ‘Domingão’ em um domingo comum.
Há ainda uma mudança importante de lógica na televisão.
Durante décadas, a TV criava celebridades. Hoje, precisa importá-las da internet.
A mais popular influenciadora do país não foi contratada para aprender a linguagem da Globo.
É a Globo que tenta aprender a linguagem de Virginia.
Daí a sensação de estranhamento em parte dos telespectadores mais tradicionais.
Ela não foi aos Estados Unidos para comentar esquemas táticos nem rivalizar com narradores e jornalistas esportivos.
Foi para ser Virginia.
E, goste-se ou não, é justamente isso que a Globo precisa.
Não de mais uma resenha sobre os jogos.
E sim de uma atração forte que faça mais gente das redes sociais olhar para a TV.
E mais repercussão de seus programas no 'feed' de todo mundo.