Como espetáculo de televisão, o debate da Band entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) foi excessivamente agressivo, como alguns episódios do ‘Casos de Família’ e dos antigos telebarracos de Márcia Goldschmidt.
“Foi aquém da proposta que a Band ofereceu”, afirmou o cientista político Fernando Schüler no ‘Canal Livre’. “Eles usaram o momento para aumentar a rejeição (um do outro) e fazer cortes para a internet.”
Outro comentarista político da Band, Carlos Andreazza, disse que a emissora “fez a parte dela”, mas os candidatos optaram pelo “baixo nível”.
“Foi um debate ou um embate?”, perguntou o apresentador Erick Bang na GloboNews. “Houve pouca troca de argumentos. Cada um falava o que queria”, analisou Fernando Gabeira. Ele chamou de “linguagem egocêntrica” a postura dos dois candidatos.
Ana Flor lembrou que Lula e Flávio passaram por treinamento para o debate, mas, mesmo assim, se mostraram “tensos e nervosos” no início.
A jornalista disse ter apurado que em grupos de leitores indecisos que assistiram ao debate houve “uma reclamação geral do nível de ataque de um candidato para o outro”.
“Como se, em alguns momentos, esquecessem do eleitor e ficassem se atacando, e os indecisos ficaram sem uma decisão tomada ou, talvez, ainda mais indecisos porque não gostaram do que viram.”
Na Jovem Pan News, o comentarista Roberto Motta deu sua visão sobre o evento. “Isso não é debate no sentido clássico, onde você apresenta ideia, discute prós e contras. Esses confrontos políticos são, principalmente, embates de imagem.”
“Foi um debate de oportunidades perdidas”, afirmou Fábio Piperno no mesmo canal. “Faltou o candidato ser mais bem-treinado para sair das cordas.”
Ele ressaltou que os mesmos temas polêmicos de um presidenciável contra o outro devem aparecer no debate da Globo, no dia 23, considerado decisivo para o resultado das urnas.
A jornalista Helen Braun também opinou. “Me parece que Lula jogou para a sua militância, Flávio jogou para a sua militância e, dentro das (pesquisas) qualitativas que eu estava olhando, não mudou um voto.”