Marcado pelo luto após a morte de seu fundador, Jean-François Leroy, o festival de fotojornalismo Visa pour l’Image premiou em Perpignan o jovem Philémon Barbier, de 25 anos, com o Visa de Ouro Rémi Ochlik por sua cobertura da transição na Síria pós-Assad. O evento também homenageou a consagrada carreira do veterano Raymond Depardon, laureou uma reportagem do The New York Times sobre a Cisjordânia e exibiu cerca de trinta mostras focadas em guerras, desastres e temas humanitários.
Patricia Moribe, enviada especial a Perpignan
Prêmios demais? Não. Apenas uma maneira de agraciar o maior número possível de profissionais, entre veteranos e principiantes, e manter a chama do fotojornalismo acesa. Essa era uma das propostas do criador e presidente do evento, Jean-François Leroy. Sua morte, no dia 31 de agosto, deu um tom de melancolia ao festival, mas seu empenho fervoroso em prol do fotojornalismo foi amplamente lembrado e reverenciado nas noites de projeção no Campo Santo.
O último prêmio anunciado neste domingo foi o Visa de Ouro da Cidade de Perpignan Rémi Ochlik. Os editores de fotografia de revistas internacionais escolheram o trabalho do francês Philémon Barbier, de 25 anos, sobre a transição na Síria desde a queda de Bashar al-Assad, no final de 2024.
Foi um trabalho de perseverança. Barbier realizou várias viagens, totalizando oito meses na Síria, cobrindo o legado da ditadura sangrenta de Bashar al-Assad. O jovem fotógrafo fez as primeiras viagens como freelancer. Suas fotos foram publicadas e, logo, surgiram encomendas de grandes veículos, como o jornal Le Figaro.
"É um país que está renascendo, que quer paz, quer evoluir, ter liberdade. Essa vontade de querer liberdade não é nova, mas hoje parece ser mais acessível. Então, penso que é um país que está lutando para se reconstruir, se reunificar e batalhar por um futuro, o que é muito bonito."
Philémon Barbier conta que decidiu ser fotojornalista surgiu aos 16 anos, quando participava de manifestações diversas. Aos 19 anos, fez um curso profissionalizante em Paris e nunca mais parou.
Mestre
Já o Visa de Ouro de Honra da revista Le Figaro, destinado a recompensar uma carreira consolidada, foi para o mestre Raymond Depardon, 84 anos, dono de uma extensa trajetória como fotógrafo e documentarista.
Ao receber o prêmio, Depardon declarou:
"O jornalista corajoso, engajado, não pode desaparecer. Eu sei que a situação não está boa. Nunca foi muito boa, mas está pior do que antes. Mas precisamos continuar a batalha. É um trabalho difícil, mas que amamos, também pelo seu mistério. Viajei muito, dei três voltas ao globo. Provavelmente não teria feito isso se tivesse ficado no sítio da família."
Reportagem interativa
O Visa de Ouro da Informação Digital é outorgado por um grupo de mídias estatais, incluindo a RFI. Este ano, o prêmio foi para a equipe do jornal The New York Times, com a reportagem "Usurpação de Terras: a Campanha em Escalada de Israel para Controlar a Cisjordânia", realizada pelos jornalistas Daniel Berehulak, Michael D. Shear, Leanne Abraham e Fatima AbdulKarim.
Há prêmios destinados especificamente a apoiar mulheres e outros voltados para questões humanitárias, urbanas e ecológicas.
Além desses incentivos, o festival criado por Leroy produziu cerca de 30 exposições espalhadas por toda a cidade catalã de Perpignan.
Os momentos trágicos de guerras — Gaza, Síria, Líbano, Sudão, Ucrânia e outros tantos — continuam entre os assuntos em destaque, ao lado das catástrofes naturais pelo mundo.
Mas o festival também trouxe momentos de grandes reportagens de imersão, como os casamentos no Japão em que um dos cônjuges é virtual, de Jérôme Gence; e o mundo submarino — e um grito de socorro — de Laurent Ballesta.
O Cheiro da Índia
O momento poético ficou a cargo das imagens de Paolo Roversi, no magnífico Hôtel Pams, antiga mansão construída no século XIX. O fotógrafo italiano, conhecido por seus ensaios de moda, apresenta uma série de imagens inspiradas no livro O Cheiro da Índia, de Pier Paolo Pasolini. Imagens desfocadas e misteriosas, em meio a um jogo de luzes e sombras, conduzem a uma Índia mística e atemporal.
O festival Visa pour l'Image está aberto ao público até o dia 13 de setembro, inteiramente gratuito, seguindo uma das premissas de Jean-François Leroy.