Por que o chocolate de Dubai está em toda parte em 2026 — e como Denis Ramos o transformou em sushi

À medida que o chocolate de Dubai continua moldando a cultura das sobremesas em 2026, Denis Ramos apresenta uma releitura inspirada no sushi de uma das combinações de sabores mais marcantes do ano

5 abr 2026 - 04h18

Se 2026 tem um clima dominante no universo das sobremesas, é difícil ignorar o chocolate de Dubai. O que começou como uma obsessão nas redes sociais acabou se consolidando como uma linguagem de sabores facilmente reconhecível, construída em torno do chocolate, do creme de pistache e da textura crocante do kataifi. Neste ano, essa combinação ultrapassou a condição de tendência passageira. Ela passou a ocupar vitrines de padarias, sobremesas empratadas, bebidas especiais, sorvetes e lançamentos de edição limitada, confirmando que o chocolate de Dubai já não é apenas uma febre online, mas uma das tendências mais evidentes do momento no universo gastronômico.

E quando uma tendência chega a esse ponto, a pergunta mais relevante deixa de ser sua origem e passa a ser: o que chefs e restaurateurs fazem com ela a partir daí?

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Uma das respostas mais inesperadas vem de Denis Ramos, gestor de restaurante à frente do Soulshi Lounge, na Flórida, cujo trabalho anterior no Brasil também contribuiu para moldar sua abordagem à culinária de inspiração japonesa. Com uma trajetória que combina gestão em hospitalidade, branding e inovação de cardápio, Ramos se consolidou como uma voz relevante nas discussões sobre como tendências alimentares contemporâneas migram da tela para a mesa.

Sua resposta a essa febre é uma sobremesa chamada Dubai sushi — uma criação que parte do já familiar perfil de pistache e chocolate e o reconstrói em uma forma ao mesmo tempo lúdica e surpreendentemente coerente.

Em vez de reproduzir o chocolate de Dubai em seu formato mais convencional, Ramos decidiu reinterpretá-lo. O resultado preserva a riqueza e a textura que tornaram a tendência tão irresistível, mas as transporta para uma apresentação inspirada no sushi, que soa simultaneamente familiar e inovadora.

Foto: Mais Novela

A ideia, no entanto, não surgiu pronta. Segundo Ramos, a sobremesa passou por um processo de testes e ajustes até atingir um equilíbrio que funcionasse tanto visual quanto estruturalmente. O primeiro desafio foi capturar o apelo do pistache e do chocolate; o segundo, traduzi-lo para um formato convincente no prato, com harmonia de texturas e coerência dentro de um menu de inspiração japonesa. Foi esse processo que, ao final, definiu a identidade do Dubai sushi. "A parte mais interessante de uma tendência não é copiá-la exatamente", afirma Ramos. "É entender ao que as pessoas estão respondendo e encontrar uma nova forma de expressar essa ideia."

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Esse pensamento ajuda a explicar por que o chocolate de Dubai continua tão forte em 2026. Seu apelo nunca esteve apenas no sabor doce, mas na combinação de riqueza, crocância, cor, indulgência e impacto visual. O pistache adiciona profundidade e o tom de verde já icônico; o kataifi contribui com textura; e o chocolate ancora tudo em uma sensação de conforto. É uma proposta luxuosa, mas acessível — inovadora, sem se tornar estranha.

Esse equilíbrio torna a tendência altamente adaptável. O chocolate de Dubai deixou de ser uma sobremesa específica para se tornar um conceito que pode ser reinterpretado.

A versão criada por Ramos evidencia isso. O Dubai sushi vai além de um prato curioso — é resultado de desenvolvimento técnico, ajustes e estratégia de cardápio. A intenção nunca foi apenas criar algo visualmente chamativo, mas sim uma sobremesa que funcionasse plenamente na experiência gastronômica. "Um prato precisa fazer mais do que ter um bom sabor", explica. "Ele precisa fazer sentido no momento em que chega à mesa. As pessoas respondem ao sabor, mas também à textura, à apresentação e à sensação que o prato transmite."

Essa visão ajuda a entender por que algumas criações inspiradas em tendências desaparecem rapidamente, enquanto outras permanecem na memória dos clientes. Uma referência viral pode gerar curiosidade, mas curiosidade sozinha não sustenta um prato. É preciso que ele funcione na cozinha, no serviço, no cardápio e na expectativa do público.

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Ramos descreve esse processo de forma prática. Tendências podem nascer no ambiente digital, mas, dentro de um restaurante, precisam enfrentar critérios mais concretos: consistência, execução, operação e aceitação do público. Em outras palavras, existe uma distância significativa entre uma ideia atraente e um prato bem-sucedido. "As pessoas muitas vezes veem o prato final e acham que ele surgiu rapidamente", diz. "Mas a verdade é que ele passa por várias versões antes de parecer completo."

Esse esforço se torna ainda mais evidente na reação do público. Parte do sucesso do Dubai sushi está na tensão entre reconhecimento e surpresa: os clientes identificam a referência ao chocolate de Dubai, mas a encontram em uma forma inesperada. Para Ramos, essa experiência faz parte da proposta. Uma tendência chama atenção, mas é a experiência que garante sua permanência.

No Soulshi Lounge, onde apresentação e atmosfera são tratadas como extensões da experiência gastronômica, essa lógica orienta o lançamento de novos pratos. O nome, a identidade visual e a primeira impressão influenciam diretamente a decisão do cliente. "As pessoas comem com os olhos primeiro", afirma Ramos.

O Dubai sushi foi desenvolvido com isso em mente: uma sobremesa cuja estética comunica imediatamente novidade, indulgência e leveza. Parte de seu sucesso está justamente na clareza do conceito desde sua concepção.

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Ramos, que construiu sua reputação combinando identidade de marca com criatividade voltada ao cliente, acredita que o verdadeiro desafio está em adaptar tendências à linguagem própria do restaurante. "É preciso entender o que pertence ao seu cardápio e o que não pertence", afirma. "Uma tendência pode estar em toda parte, mas isso não significa que funcione em qualquer contexto. O desafio é transformá-la em algo original dentro do seu universo."

Talvez essa seja a principal lição do chocolate de Dubai em 2026. A tendência se mantém relevante porque oferece um conjunto de sensações — crocância, cremosidade, riqueza, contraste e cor — que permitem múltiplas interpretações sem esgotar a ideia.

Sob essa perspectiva, o Dubai sushi deixa de ser apenas uma criação curiosa e passa a representar a evolução natural de uma tendência. Se a febre começou com impacto visual, seu momento mais interessante acontece agora, nos cardápios que tratam o chocolate de Dubai não como uma fórmula a ser repetida, mas como matéria-prima para inovação.

É nesse ponto que uma tendência deixa de ser passageira — e passa a fazer parte da cultura.

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