Spiritbox: espírito indomável [ENTREVISTA]

Seja artisticamente ou em popularidade, banda canadense está cada vez maior — seu segundo show abrindo para um gigante no Allianz Parque deve mostrar isso

15 mai 2026 - 12h09
(atualizado às 12h15)

"Nunca esqueceremos do [fã vestido de] Jesus que apareceu enquanto tocávamos 'Holy Roller': ele subiu na galera e acendeu sinalizadores." Como se nota, Courtney LaPlante tem boas lembranças do primeiro show do Spiritbox no Brasil, em novembro de 2024, abrindo para o Bring Me the Horizon no Allianz Parque. "Dizem que o Jesus foi expulso, mas trocou de roupa e voltou escondido para o restante do show. Ele ressuscitou, voltou para nós", complementou ela, numa entrevista concedida à Rolling Stone Brasil dias antes da Páscoa.

A banda formada no Canadá e capitaneada pela cantora junto de seu marido e guitarrista, Mike Stringer, retorna para tocar no mesmo estádio em São Paulo e novamente como atração de abertura, agora do Korn. Tal dobradinha já havia ocorrido no exterior em 2024. "Somos gratos por termos tocado várias vezes com o Korn. Vi muitos vídeos deles no Brasil e parece uma grande festa", reflete a vocalista, que busca provocar a mesma sensação com seu show: "Tocaremos o maior número de músicas possível no tempo que temos, pois quando abrimos para alguém, queremos apresentar nosso trabalho para novas pessoas."

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Completo por Zev Rose (bateira) e Josh Gilbert (baixo), Spiritbox nasceu em 2016 das mãos de Courtney e Mike, que tocavam juntos no Iwrestledabearonce. O metalcore do projeto anterior seguiu como referência principal, mas ganhou pitadas progressivas e atmosféricas, djent, post-metal, elementos eletrônicos, pop/R&B e por aí vai. Difícil de rotular e botar numa caixinha, mas fácil de apreciar, pois eles têm ou tiveram:

  • 3,5 milhões de ouvintes mensais no Spotify;
  • dois álbuns [Eternal Blue (2021) e Tsunami Sea (2025)] no top 40 americano e top 20 britânico;
  • certificação de ouro pelo single "Circle with Me";
  • três indicações seguidas ao Grammy, com direito a se apresentar na chamada pré-cerimônia.

Marcas robustas para um som tão pesado, que está ficando popular, também, em nosso país. "Fiquei surpresa com a quantidade de pessoas que sabiam as músicas no show do Brasil", celebra Courtney. "Não posso presumir que não há diferença entre números online e vida real. Um número de streams é algo abstrato; ver pessoas no show é algo real, tangível. Ainda me choca. É tudo novo para mim e eu estou realmente gostando disso."

Com tamanho sucesso, por que, então, não voltar com um show próprio, em vez de abrir para outra banda? "Temos pensado sobre isso por muito tempo, inclusive consideramos fazer isso neste ano", admite LaPlante. "Mas o Korn queria que fôssemos com eles e eles são um dos melhores no metal. Talvez nunca tenhamos essa chance de novo. Penso que este show nos dará confiança para voltar sozinhos. Espero que seja em 2027, mas depende do planejamento." Também à Rolling Stone Brasil, Brian "Head" Welch, guitarrista do Korn, crava: "Sou um grande fã de Spiritbox e eles já estão grandes demais para abrir shows."

Tsunami Sea e... funk brasileiro

Nesta nova visita ao Brasil, o Spiritbox promove o citado Tsunami Sea, álbum que Courtney define como "a história da minha vida". Vem dele canções como "Soft Spine" (indicada ao Grammy na categoria Melhor Performance de Metal), "Perfect Soul", "Fata Morgana" e "No Loss, No Love", presenças praticamente garantidas no repertório.

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"Talvez o público não entenda todas as metáforas, mas é catártico para mim, pois me lembra dos altos e baixos de onde venho e o quão longe chegamos em relação à ilha abordada naquele álbum, onde Mike e eu crescemos", pondera a artista sobre o disco. "Eu me divirto tocando essas músicas, mas ao fim, me afasto, como se tivesse encerrado uma boa sessão de terapia. Fico limpa de todo o meu estresse quando saio do palco."

https://www.youtube.com/watch?v=kEOctaHwmbc&list=RDkEOctaHwmbc&start_radio=1&pp=ygUWc3Bpcml0Ym94IHBlcmZlY3Qgc291bKAHAQ%3D%3D

Caso o grupo retorne em 2027, talvez traga uma turnê que já nem seja mais a de Tsunami Sea. "Estou em uma banda com Michael Stringer, então nunca deixa de haver música nova", reflete a cantora. "Nunca sabemos se devemos relaxar, pois ele vem e cria a música mais incrível que já ouvi. Não sei quando iremos lançar, mas já fizemos algumas coisas e não conseguimos guardar nossos segredos. Em breve vamos sabotar nosso tempo de folga."

Algo que faz Courtney relaxar é ouvir música. E em sua playlist pessoal, há Brasil, por meio do funk, um de seus gêneros favoritos para ouvir enquanto dança ou se exercita. No meio da entrevista, ela destaca duas canções: "Vem Vem", na versão de DJ BRZ 13, e "Aquecimento do Adame", de Adame DJ, MC Gw e MC Bob Anne. Faz questão de pesquisá-las no celular e mostrar para o repórter.

"Ouço muitos mixes de DJs no YouTube", diz. "Gostamos porque há batidas realmente agressivas num ritmo suingado, típico da música brasileira. Começam com a marcação 4/4 e depois mudam o ritmo — começa a parecer quase errado. Gosto de uma versão da música 'Vem Vem', do DJ BRZ 13, que fazem uma mistura. E na playlist pré-show sempre toca 'Aquecimento do Adame'. Todos na plateia ficam tipo: 'é pra rebolar ou começar uma briga?'."

LaPlante é informada de que funk e heavy metal — especialmente o mais tradicional — são "inimigos mortais" entre fãs brasileiros, mais afeitos a metal clássico. Ela se diz uma grande fã de ramificações convencionais, pois "tudo tem suas ondas". "Há experimentos que tornam o metal mais variado, mas então o pêndulo volta para o outro lado porque as pessoas sentem falta do bom e velho metal clássico. Acho legal ser diversificado e aprender sobre todas as coisas diferentes que nos colocam sob o guarda-chuva do metal. O metal clássico é uma razão pela qual todos ainda amamos isso, porque não há nada parecido. Nunca houve antes e provavelmente nunca haverá de novo."

Rolling Stone Brasil: revista especial com Korn

À VENDA: O Korn estampa a capa da nova edição da revista Rolling Stone Brasil. Com um show especial no Allianz Parque marcado para 16 de maio, a lendária banda de nu metal narra seus próximos passos — incluindo um álbum que está sendo preparado — e reflete sobre como seus contemporâneos estão mais relevantes do que nunca. Também há entrevistas com Iron Maiden, Black Pantera, Spiritbox, Shavo Odadjian (Seven Hours After Violet), entre outros. Compre no site Loja Perfil.

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Foto: Rolling Stone Brasil
Rolling Stone Brasil
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