Avenged Sevenfold faz show seguro mesmo com atraso no Rock in Rio 2026

Embora tenha empolgado menos que Bring Me the Horizon, banda americana reafirmou status de headliner com apresentação recheada de hits e sem tantos de seus experimentos recentes

6 set 2026 - 12h40
(atualizado às 13h07)
Resumo
Mesmo com 30 minutos de atraso, o Avenged Sevenfold entregou um show seguro como headliner do Rock in Rio 2026. Apesar de adotar caminhos experimentais em estúdio, a banda apostou em seus clássicos para agradar à plateia, abrindo com "Nightmare" e incluindo faixas como "Afterlife". M. Shadows exibiu certo desgaste vocal, mas contornou a questão interagindo com o público. Embora menos empolgante que apresentações anteriores, o grupo provou que não arrisca sua fórmula de sucesso nos palcos.

Certas bandas entram em um estágio de carreira peculiar após a consolidação de seu sucesso. O êxito comercial deixa de oferecer somente liberdade financeira para garantir autonomia criativa. Contradições à parte, o Avenged Sevenfold — que voltou a ser headliner do Rock in Rio após uma performance aclamada em 2024 — parece ter chegado justamente no ponto em que conta com o "direito de desagradar".

M. Shadows, vocalista do Avenged Sevenfold, durante show no Rock In Rio 2026
M. Shadows, vocalista do Avenged Sevenfold, durante show no Rock In Rio 2026
Foto: Ellen Artie / @ellenartie / Rolling Stone Brasil

Após lançar seu álbum de maior sucesso, Hail to the King (2013), a banda seguiu por um caminho experimental nos discos The Stage (2016) e Life is But a Dream… (2023). Desapontaram parte dos fãs que esperavam ou a manutenção de um som mais tradicionalmente heavy metal, ou mais guiado pelo metalcore ousado e de leve tempero pop dos anos 2000. Agregaram outros públicos — menos massivos, é verdade.

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Talvez eles se convencessem a retomar o som de arena no álbum posterior a Life is But a Dream…, visto que há cada vez mais público nos shows, mas optaram por disponibilizar um EP de orientação eletrônica, Statica (2026), sob um codinome e com uma estética que mais parecia uma piada pouco compreendida pelos fãs. As fotos promocionais que o digam.

O "direito de desagradar" soa contraditório pois só se valida, mesmo, nas novas músicas. Ao vivo, o grupo composto por M. Shadows (voz), Synyster Gates (guitarra), Zacky Venegance (guitarra), Johnny Christ (baixo) e Brooks Wackerman (bateria) segue ancorado em seu repertório antigo. Os clássicos "Nightmare" e "Afterlife", com a recente "Magic" no miolo, abriram o show de domingo, 5, no Rock in Rio 2026, colocando cada fã para cantar a plenos pulmões.

Antes, houve um atraso de 30 minutos, provocado, aparentemente, por problemas nos telões. Insuficiente para desanimar a plateia. Sequer provocou cortes no repertório ou explicações por parte da banda.

Em comparação às apresentações de janeiro último no Brasil — sim, não demoraram nem um ano para voltar —, resgataram a heavy-tradicional "Shepherd of Fire", justamente do mencionado disco Hail to the King, e agregaram de vez "Seize the Day", balada que meses atrás havia sido tocada apenas de improviso. Já a ausência mais sentida foi a de "So Far Away", durante a qual costumam homenagear o falecido baterista The Rev.

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Ainda entre as alterações, a escolha de "Cosmic" como canção final do set pareceu ousada, mas pouco de seu show merece tal adjetivo. Ainda bem. Música ao vivo em espaços enormes como o do Rock in Rio serve, sobretudo, para entreter e agradar aos fãs.

Quanto à performance em si, M. Shadows pareceu um pouco mais desgastado vocalmente do que no início do ano. Sua voz, diga-se, é tema frequente de debates. Nunca voltará a ser como antes. Ele parece saber, por isso tem se adaptado, seja jogando trechos (até demais) para a galera, permitindo mais contribuições vocais de outros membros ou buscando outros caminhos para suas linhas.

Vem de Shadows, também, as comunicações com o público. Antes de "Seize the Day", repreendeu os fãs de diversas bandas que tocaram naquele dia de Rock in Rio — inclusive admiradores do grupo dele — por ficarem brigando em uma disputa sobre "qual artista é melhor". "Somos todos amigos", garantiu o cantor, que, antes de "M.I.A.", revelou a influência de Iron Maiden na composição e estranhou o comportamento mais tímido da plateia. "É por causa da chuva?", questionou ele, sob uma garoa bem fina e nada incômoda. Pode ter sido por causa do Bring Me the Horizon, que empolgou mais com a apresentação anterior no palco Mundo.

Talvez isso leve o Avenged a pensar como em 2014, quando, conforme revelado por Synyster Gates à Rolling Stone Brasil, o grupo acreditou estar "vindo demais ao país". De fato, o show de sábado, 5, foi um pouco menos empolgante que o do Rock in Rio 2024 ou em São Paulo no começo do ano. Por parte do A7X, nem houve uma razão específica para tal. Afinal de contas, a experiente banda americana sabe quando exercer o seu "direito de desagradar". Raramente é no palco.

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Setlist

1 "Nightmare"

2 "Magic"

3 "Afterlife"

4 "Shepherd of Fire"

5 "Buried Alive"

6 "Seize the Day"

7 "The Stage"

8 "Hail to the King"

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9 "Nobody"

10 "M.I.A."

11 "Bat Country"

12 "Unholy Confessions" + solo de bateria

13 "A Little Piece of Heaven"

14 "Cosmic"

Rolling Stone Brasil
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