Público redescobre Vinil e CD e streaming pode ficar em segundo plano

Consumo de mídias físicas clássicas aumentam no mercado global

11 ago 2026 - 18h25
Público redescobre Vinil e CD e streaming pode ficar em segundo plano
Público redescobre Vinil e CD e streaming pode ficar em segundo plano
Foto: The Music Journal

Em um cenário onde a música parece ter se desmaterializado, cabendo inteira na palma da mão através de qualquer aplicativo de streaming, uma cena inusitada se repete: jovens adentram lojas de discos em busca de artefatos que, para muitos, seriam relíquias.

Imagine duas adolescentes no coração de São Paulo, adquirindo uma edição especial do aclamado Cowboy Carter de Beyoncé. O detalhe intrigante? Elas não possuem toca-discos em casa. O ritual de ouvir o álbum, talvez pela primeira e última vez em sua forma física, ali mesmo na loja, encapsula a complexidade do momento atual na relação entre público e música.

Publicidade

É um paradoxo que revela uma mudança de comportamento cultural que desafia a lógica digital.

A Revolução Silenciosa do Analógico

Após décadas de hegemonia digital, parecia que a mídia física havia assinado sua sentença de morte. No entanto, o pêndulo da cultura pop oscilou novamente. Dados da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) atestam um crescimento notável: as vendas de discos subiram 13,7% no último ano, marcando 19 anos consecutivos de expansão.

Embora o streaming ainda capture quase 70% da receita global da música gravada, o retorno do vinil, CD e até da fita cassete é inegável.

Nos Estados Unidos, o vinil superou a marca de US$ 1 bilhão em faturamento anual pela primeira vez desde os anos 1980, mesmo que o volume de unidades seja significativamente menor que em seu auge. Essa reviravolta não é um mero capricho nostálgico, mas um fenômeno complexo, impulsionado por uma nova geração de ouvintes e colecionadores.

Publicidade

Essa exaustão digital não é um mero boato. Segundo a Folha de S. Paulo, Glenn McDonald, ex-engenheiro responsável pelos sistemas de recomendação do Spotify, corrobora a percepção de que a disputa é pelo controle da experiência musical.

As plataformas de streaming, ao priorizar o tempo de tela e as recomendações automatizadas, transformam o fã de música em um "consumidor de conteúdo".

A nostalgia de uma era onde a descoberta musical era imprevisível, como nos tempos do MySpace, que revelou nomes como Arctic Monkeys e Lily Allen, é um contraponto à fragilidade da memória digital, exemplificada pela perda de 50 milhões de músicas do MySpace em 2019.

The Music Journal Brazil
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se