Do roots ao mainstream, o reggae vive uma nova fase no Brasil. Celebrado nesta segunda-feira (11), o Dia Nacional do Reggae chega em um momento de destaque do gênero no país, impulsionado pelo sucesso de nomes já consagrados como Bob Marley, Edson Gomes, Tribo de Jah, Armandinho e Maneva. Além da aproximação recente com o pop, através de artistas como IZA e Anitta.
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Segundo o Spotify, o Brasil é atualmente o segundo país que mais consome reggae no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. O dado comprova o impacto duradouro de artistas históricos como Bob Marley, cujo legado segue liderando reproduções globais e influenciando novas gerações dentro e fora da Jamaica. Ao mesmo tempo, a cena brasileira continua fortalecendo o gênero, com nomes como Edson Gomes, que se apresentou no Lollapalooza Brasil deste ano, além de grupos como Ponto de Equilíbrio, Tribo de Jah e Maneva, que seguem fortalecendo o reggae nacional.
Por que o Dia Nacional do reggae é comemorado em 11 de maio?
A escolha de 11 de maio como Dia Nacional do Reggae é para homenagear o cantor e compositor jamaicano Bob Marley. Ele faleceu nesta dia em 1981, em Miami, aos 36 anos. A data foi oficializada pela Lei nº 12.630 de 2012, sancionada pela ex-presidenta Dilma Rousseff para celebrar o ícone mundial e a popularidade do ritmo, que é muito forte em estados como o Maranhão.
Para Núbia, cantora e compositora maranhense da nova geração do gênero, comemorar a data é fundamental.
"O Brasil tem o reggae muito presente na cultura, e a importância que esse ritmo e suas vertentes têm para a música brasileira como um todo e para o movimento cultural é gigante. Então, nada mais justo que ter uma data emblemática para celebrar isso, reconhecer e valorizar a cultura… no caso, no dia em que um dos maiores símbolos desse ritmo se foi", declara ao POPline.
A banda Maneva, que está na estrada celebrando 20 anos de carreira, reforça a importância do Dia Nacional do Reggae.
"Ele [reggae] carrega mensagem, consciência, espiritualidade, amor e resistência. Então, é importante pra valorizar toda essa cultura e lembrar da força que esse gênero tem na vida de tantas pessoas. O reggae conecta, acolhe e atravessa gerações", diz ao POPline.
Maneva celebra 20 anos e destaca crescimento do reggae no Brasil
Falando nisso, vivendo uma das fases mais importantes da carreira, o Maneva comemora duas décadas de trajetória em uma grande turnê no país. Ao POPline, eles opinam sobre como a cena reggae nacional se transformou nessas duas décadas.
"Mudou muita coisa. Quando começamos, o reggae ainda era muito nichado e tinha menos espaço nos grandes festivais, nas rádios e na mídia em geral. Hoje a cena está muito mais estruturada, existem mais festivais, mais artistas surgindo e o público aumentou muito. Ao mesmo tempo, as redes sociais e o streaming ajudaram bastante a democratizar a música e aproximar os artistas das pessoas. Acho que o reggae brasileiro amadureceu sem perder sua essência."
IZA e Anitta ajudam o reggae a alcançar novos públicos
Outro movimento que vem chamando atenção é a aproximação do reggae com o pop mainstream. Apesar de IZA ter flertado com o reggae em trabalhos anteriores, como em "Brisa", a artista anunciou um álbum com presença majoritária do gênero. Já Anitta lançou recentemente o álbum "Equilibrivm", que inclui a faixa "Deus Existe", parceria com o Ponto de Equilíbrio e marcada por referências claras ao reggae contemporâneo.
Segundo o Maneva, esse diálogo entre gêneros é essencial para ampliar o alcance da cena. "Quando artistas gigantes como IZA e Anitta trazem elementos do reggae pro trabalho delas, isso ajuda a apresentar essa sonoridade pra ainda mais gente". A banda ainda citou suas próprias experiências recentes misturando reggae com outros estilos em colaborações com Turma do Pagode e Lauana Prado.
Maranhão mantém viva a "Jamaica Brasileira"
O reggae segue sendo parte da identidade cultural do Maranhão, conhecido como "Jamaica Brasileira". A rapper, cantora e compositora maranhense Enme afirma que o gênero faz parte da rotina da população local. Em sua nova mixtape, "Conexão Jamaica Brasileira", ela mistura vertentes como dub, dancehall, raggamuffin e lovers rock, reforçando a influência jamaicana presente na música produzida no estado.
"A gente dorme e acorda ouvindo as "pedras" (como a gente chama aquele som marcante), principalmente no lugar onde nasci, o Quilombo Liberade. Dos festivais aos clubes, sempre tem uma radiola tocando. É como se as ondas da música fossem o oxigênio no sangue do povo maranhense."
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