Por que Dio no lugar de Ozzy no Black Sabbath deixou Geezer Butler 'aliviado'

Processo doloroso na criação de 'Never Say Die!' deu lugar a uma nova era de sinergia musical e comunicação dentro da banda com a entrada do novo vocalista

10 ago 2026 - 14h10

A transição feita pelo Black Sabbath do vocalista original Ozzy Osbourne para o sucessor Ronnie James Dio no fim dos anos 1970 foi recebida com um sentimento de alívio — ao menos para o baixista e principal letrista da banda, Geezer Butler.

Black Sabbath com Ronnie James Dio no início dos anos 1980
Black Sabbath com Ronnie James Dio no início dos anos 1980
Foto: Fin Costello / Redferns via Getty Images / Rolling Stone Brasil

Em entrevista ao podcast 100 Songs That Define Heavy Metal (via Ultimate Guitar), Geezer refletiu sobre o clima insustentável nas gravações do último álbum da formação original naquela década, Never Say Die! (1978). O baixista comparou a tentativa de trabalhar com Ozzy naquele período a "arrancar dentes" (ou "como um parto", no Brasil).

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De acordo com Geezer, o desinteresse e o distanciamento de Ozzy no estúdio chegaram a um nível crítico:

"Era como um verdadeiro parto tentar fazer o Ozzy cantar as letras. Eu costumava escrever as letras para ele, e ele nem sequer as lia. Ele simplesmente as descartava completamente antes mesmo de dar uma olhada. Naquele último álbum, Bill Ward (baterista) teve que cantar uma das músicas porque o Ozzy simplesmente foi embora."

O desgaste gerou situações extremas. Um exemplo foi o fato de a banda ter tido de transformar "Breakout" em uma faixa instrumental. Já a canção em que Bill Ward precisou cantar, citada por Geezer, foi "It's Alright".

Diante da situação, o baixista relembrou que o grupo estava em um ponto de ruptura:

"Foi mais ou menos nessa época que ou terminávamos a banda ou tínhamos de fazer algo drástico e trazer outro vocalista — e foi isso o que aconteceu."

Ronnie James Dio no Black Sabbath

Quando Ronnie James Dio, vindo do Rainbow, assumiu os vocais em 1979, o contraste não poderia ter sido maior. Além de trazer uma extensão vocal impressionante e renovar as energias do grupo, Dio levou consigo atributos que transformaram a rotina de estúdio, relembra Geezer, à época "aliviado":

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"Foi ótimo porque o Ozzy não sabia tocar nenhum instrumento, mas o Ronnie, para conseguir expressar alguns refrãos e coisas do tipo, pegava uma guitarra e tocava para o Tony (Iommi): 'É assim que eu vejo esse refrão'. Ele tocava os acordes, então todos nós sabíamos o que fazer."

O álbum de estreia da era Dio, Heaven and Hell (1980), tornou-se um clássico instantâneo e revitalizou a carreira do Sabbath. Geezer admitiu que, embora a banda acreditasse no material, o sucesso estrondoso surpreendeu a todos:

"Tivemos sorte porque as pessoas gostaram tanto quanto nós. As pessoas estavam dizendo: 'Bom, o Sabbath acabou. Vamos ouvir como vai ser esse álbum terrível', e acabaram sendo completamente surpreendidas."

Rolling Stone Brasil
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