A música brasileira movimentou mais dinheiro do que nunca em 2025. Segundo relatório anual da União Brasileira de Compositores (UBC), divulgado nesta semana, pela primeira vez na história da entidade, o valor distribuído a associados e titulares representados ultrapassou R$ 1 bilhão, um resultado 8% superior ao de 2024. A UBC, sozinha, respondeu por 62% de todo o montante distribuído pelas sete associações que integram o Ecad no período. A arrecadação total do sistema brasileiro de gestão coletiva chegou a R$ 2,105 bilhões, quase 15% acima do exercício anterior.
O principal motor desse crescimento foi o digital. A arrecadação proveniente de serviços de streaming de áudio e vídeo avançou 47,2% em um ano e passou a representar 33,6% do total arrecadado — a maior fatia já registrada pelo segmento. Na distribuição de direitos, o streaming de vídeo respondeu por 13,43% dos valores repassados no país, contra 10,11% do streaming de áudio. Em relação a 2024, os aumentos foram de 15,97% e 6,99%, respectivamente. Somados, os dois segmentos já figuram entre as principais fontes de renda dos criadores no ambiente digital.
Mas 2025 não foi apenas um ano de playlists. A música ao vivo também mostrou força: os valores da categoria cresceram 20,99%, enquanto o segmento específico de shows avançou 15,81%. Grandes festas populares brasileiras também registraram números expressivos, as distribuições relacionadas a festas juninas aumentaram 40,56%, e as do Carnaval, 34,83%. O cenário retrata uma indústria que cresce tanto nas telas quanto nos palcos, sustentada por formatos de consumo complementares, que se reforçam mutuamente.
O avanço também aparece na estrutura interna da UBC. A entidade encerrou o ano com 3.054.853 obras cadastradas (alta de 10%), 1.684.164 fonogramas (alta de 23%) e 71.027 associados diretos (alta de 5%). Além disso, foram liberados R$ 128,9 milhões em direitos retidos, valores que antes estavam sem destinação definida e que foram identificados e direcionados aos titulares corretos. Entre os beneficiados estão 32.809 titulares nacionais e 206.174 estrangeiros, alcançados por meio de acordos de representação com sociedades de outros países.