Na estreia de sua nova turnê em São Paulo, Pitty discursou sobre a importância do voto e alertou para os riscos da abstenção antes do segundo turno presidencial, afirmando que a neutralidade trará consequências. Sem citar candidatos, a cantora defendeu direitos básicos, como o SUS, creches para mães solo e universidades públicas, ressaltando que são direitos, e não favores. Ela também valorizou o impacto socioeconômico da cultura e rebates críticas contra o fomento do setor artístico nacional.
Durante a estreia da turnê de divulgação de seu novo álbum, realizada no último sábado, 17, no Espaço Unimed, em São Paulo, Pitty aproveitou o palco para fazer um discurso sobre cidadania, pensamento coletivo e a importância da participação popular nas urnas. A conversa ocorreu a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil.
A artista baiana pontuou que o momento político do país exige atenção e responsabilidade de todos. Em sua fala, ela direcionou parte do apelo àqueles que cogitam a abstenção, alertando que a neutralidade diante do pleito tem consequências diretas na vida social.
Sem citar o nome de um candidato ou outro, Pitty afirmou (via Igor Miranda):
"Eu penso que a gente pode e deve conversar com as pessoas que não foram votar. O maior nível de abstenção em muito tempo. E agora não é se você gosta desse ou daquele candidato. Agora, algum deles vai ganhar e vai mandar na sua vida. Então se abster agora é dizer: 'não quero saber, não tô nem aí'. Só que a conta vai chegar. A conta vai chegar."
Em sua fala, Pitty citou as dificuldades enfrentadas por mães solo que criam os filhos sozinhas e precisam de suporte estatal, além da defesa de direitos básicos como o acesso à saúde pública pelo Sistema Único de Saúde (SUS):
"Isso é sobre quem precisa de SUS. Isso é sobre quem precisa de creche. Mãe solteira no Brasil, alimentando a casa sozinha, saindo pra trabalhar, tendo que deixar filho com quem? A maioria dos pais foram pra onde? Cadê o pai dessa criança?"
Ela acrescentou:
"É sobre essas mulheres que precisam de uma creche pra deixar seu filho, é sobre querer entrar numa universidade boa, pública. O que a gente tem direito - isso não é favor não, é direito."
A artista também rebateu críticas direcionadas a manifestações políticas de trabalhadores da cultura e reafirmou a importância da Lei Rouanet e do impacto socioeconômico do setor, defendendo que o fortalecimento dos mecanismos de fomento é uma pauta relevante para a população.
"Toda vez que um artista fala sobre isso: 'ah, é porque é lei Rouanet, é porque a lei Rouanet'. Irmão… Olha o tanto que a cultura movimenta. Todo mundo que tá ali fora trabalhando, cada carrinho daquele que tá ali fora vendendo é a família de um trabalhador."
Assista abaixo.
Pitty estreia nova turnê
O show realizado no último sábado, 17, foi o primeiro da nova turnê, promovendo o álbum homônimo, lançado na sexta, 16. A artista tocou todas as 13 faixas do disco, além de clássicos como "Equalize", "Máscara", "Na sua estante" e "Teto de vidro". Os ingressos estavam esgotados um mês antes da apresentação. A casa tem capacidade para 8 mil pessoas.