Em entrevista, Donald Glover revelou os cinco álbuns essenciais de sua vida, destacando obras que moldaram sua visão artística diversa e ambiciosa. Sua lista é liderada por The Miseducation of Lauryn Hill, obra que ele mais ouviu na vida, seguida pelo clássico duplo Songs in the Key of Life, de Stevie Wonder. Glover também elegeu a ousadia de My Beautiful Dark Twisted Fantasy, de Kanye West, a coesão conceitual de The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, e a originalidade de When the Pawn..., de Fiona Apple.
No verão de 2018, Donald Glover estava em dois lugares ao mesmo tempo. Nas salas de cinema, interpretava Lando Calrissian em Solo: A Star Wars Story (2018). Nas plataformas, dominava com "This Is America" — uma das músicas mais impactantes da década, dirigida por Hiro Murai e lançada como Childish Gambino. Em meio a tudo isso, sentou-se com o Toronto Sun (via FarOut Magazine) e revelou os cinco álbuns que levaria para uma ilha deserta. Poucos exercícios simples dizem tanto sobre um artista quanto este. No caso de Glover, a lista revela alguém que não separa gêneros, valoriza o ofício acima de tudo e chegou onde chegou porque ouviu — e ouviu bem.
Confira abaixo os cinco melhores álbuns de todos os tempos, segundo Donald Glover:
5. Fiona Apple — When the Pawn... (1999)
https://www.youtube.com/watch?v=CfTNpbraBbI&list=OLAK5uy_nOn6YPJa_ZmbxxdFKFOIpJUJ7o7_UD7ck&index=3&pp=8AUB
"Fiona Apple, When the Pawn Hits the Conflicts..." — Glover não precisou de muito mais para justificar a escolha. A entrada de When the Pawn... na lista é a que mais revela sobre seu gosto: é o disco que prova que ele não estava montando um rol de clássicos óbvios, mas uma coleção pessoal. Segundo álbum de Fiona Apple, lançado com um título que, segundo o Guinness, é o poema mais longo já usado como nome de disco, When the Pawn... é uma obra de rock independente, introspectiva e carregada de piano, que não soava como nada ao redor na virada do milênio. A presença de um disco assim ao lado de Kanye, Lauryn e Stevie diz muito sobre como Glover — tanto como músico quanto como roteirista e ator — pensa em termos de perspectiva e originalidade antes de qualquer outro critério.
4. Pink Floyd — The Dark Side of the Moon (1973)
https://www.youtube.com/watch?v=MTovRtERP5U&list=OLAK5uy_n_QmNGWLkRc7EN5nTubzYUwIdP4c_i-ao&index=5&pp=8AUB
Quando a escolha do Pink Floyd veio à tona, Glover não a tratou como surpresa nem como provocação, mas como um fato. Para quem acompanha sua trajetória com atenção, o disco faz sentido: a construção temática e sonora de The Dark Side of the Moon — um álbum que funciona como objeto coeso do início ao fim, quase sem pausas — é exatamente o tipo de ambição estrutural que aparece em projetos como Because the Internet (2013) e em toda a relação de Childish Gambino com os visuais e as narrativas que cercam a música. Roger Waters, David Gilmour e companhia passaram meses construindo algo que transcendesse a noção de "coletânea de músicas" — e Glover, claramente, ouviu isso.
3. Kanye West — My Beautiful Dark Twisted Fantasy (2010)
https://www.youtube.com/watch?v=L53gjP-TtGE&list=OLAK5uy_mRFuqe0IIrexXkU7JOxo4rOb0WLEcwuz8&index=3&pp=8AUB
A escolha não foi imediata. Quando o tema Kanye West surgiu na conversa, Glover hesitou. 808s & Heartbreak (2008) entrou na disputa: "808s é uma boa escolha", ele concordou — antes de corrigir o rumo. "Mas vou ficar com My Beautiful Dark Twisted Fantasy". Este é o álbum em que Kanye West respondeu a uma crise pública com a obra mais ambiciosa da carreira: produções orquestrais, colaborações improváveis, faixas que ultrapassam 10 minutos sem perder coerência. Glover, que sempre transitou entre indústrias e formatos — rap, TV, cinema, teatro —, encontra em MBDTF o espelho de uma ideia que organiza sua própria carreira: recusar o caminho mais seguro no exato momento em que todos esperam que você o tome.
2. Stevie Wonder — Songs in the Key of Life (1976)
https://www.youtube.com/watch?v=oE56g61mW44&pp=ygUQaXNuJ3Qgc2hlIGxvdmVseQ%3D%3D
"Tenho que escolher com sabedoria", disse Glover antes de confirmar. "Songs in the Key of Life". É o único álbum duplo da lista e, provavelmente, o mais amplo em ambição de todos os cinco. Gravado entre 1974 e 1976, Songs in the Key of Life foi a resposta de Stevie Wonder a anos de total liberdade criativa, conquistada contrato a contrato com a Motown — e o resultado foi uma obra de quase uma hora e meia que percorreu soul, funk, jazz, pop e música clássica sem que nenhuma faixa soasse fora do lugar.
1. Lauryn Hill — The Miseducation of Lauryn Hill (1998)
https://www.youtube.com/watch?v=T6QKqFPRZSA&list=OLAK5uy_lRo6wUst04Buqa-V-E55zmc2Dl_571ROs&index=5&pp=8AUB
Glover foi direto quando chegou a este: é o álbum que ele mais ouviu na vida. Lauryn Hill gravou The Miseducation dois anos depois de deixar os Fugees no auge, recusou-se a fazer um disco de rap convencional e entregou uma obra que misturava neo soul, R&B e hip hop com uma coerência temática que poucos álbuns de qualquer gênero alcançam. O disco venceu o Grammy de Álbum do Ano em 1999 — o primeiro para uma artista solo na história do prêmio — e segue sendo uma das obras mais estudadas da música popular americana.