Os 3 melhores shows do Monsters of Rock 2026, segundo crítico da Rolling Stone

Festival realizado no Allianz Parque, em São Paulo, contou com lineup equilibrado e mais focado em rock clássico e hard rock

5 abr 2026 - 17h27

O Monsters of Rock 2026 tomou o Allianz Parque, em São Paulo, no último sábado, 4. Sete artistas e bandas compuseram a programação do tradicional festival de rock clássico, hard rock e heavy metal: Guns N' Roses, Lynyrd Skynyrd, Extreme, Halestorm, Yngwie Malmsteen, Dirty Honey e Jayler.

A montagem do lineup se mostrou equilibrada e repleta de conexões entre os nomes escolhidos. O Guns, em especial, tem ligação com quase todos:

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  • Skynyrd é uma das bandas favoritas do vocalista Axl Rose (que se inspirou nos ícones do southern rock ao compor "Sweet Child O' Mine");
  • Nuno Bettencourt, guitarrista do Extreme, e Halestorm tocaram na despedida de Ozzy Osbourne e do Black Sabbath, Back to the Beginning, assim como o GN'R;
  • Dirty Honey já abriu uma série de shows do Guns no exterior e cita o grupo como sua principal influência.

Diferentemente de outras edições, o Monsters of Rock 2026 teve um direcionamento mais orientado ao rock clássico e hard rock, sem tantas atrações de heavy metal. Yngwie Malmsteen, ícone do metal neoclássico e revolucionário da guitarra, é o único realmente imerso nesse gênero, enquanto Halestorm flerta com sons mais pesados, mas é essencialmente uma banda de hard rock.

Desta vez, também houve uma variedade maior de gerações. Dirty Honey e Jayler são bandas bem jovens, formadas há 9 e 4 anos, respectivamente. Halestorm está na ativa há quase 30 anos, mas lançou seu primeiro álbum há quase 20. Guns N' Roses e Extreme são dos ícones do hard rock do fim da década de 1980, enquanto o Lynyrd Skynyrd é um gigante setentista, embora a formação atual não apresente nenhum membro que gravou discos desse período.

Dito isso, quais teriam sido os três melhores shows do Monsters of Rock 2026? Rolling Stone Brasil assistiu às sete apresentações e traz, a seguir, os destaques.

Os 3 melhores shows do Monsters of Rock 2026

3) Jayler

Disputa acirradíssima com o Dirty Honey, outra excelente banda que se apresentou logo depois. No entanto, o Jayler carrega consigo uma vantagem curiosa: o fator surpresa. Quase ninguém sabia o que esperar de um grupo que viralizou nas redes há poucos meses e gera comentários por soar como cópia do Led Zeppelin.

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Muitas vezes, fica, sim, parecendo Zeppelin um pouco demais. No entanto, não se trata apenas disso. Há referências a AC/DC na ardida "No Woman", uma abordagem palatável em "Need Your Love", contornos épicos no encerramento "The Rinsk" e mergulhos mais notórios às raízes do blues na abertura "Down Below", com um dos diversos solos de gaita de Bartholomew, e na versão eletrificada para "I Believe to My Soul" (Ray Charles).

2) Halestorm

Outro páreo muito duro, pois Lzzy Hale e companhia disputariam tranquilamente o topo se o primeiro colocado não tivesse estado em uma ótima noite. O Halestorm desfruta de uma constância impressionante, tanto em sua discografia quanto na qualidade de sua performance. Seu show é bem formatado e testado, com algumas movimentações curiosas: os maiores hits da carreira são tocados logo no começo (e mesmo assim o espetáculo segue magnético), o fluxo entre canções ocorre de modo orgânico e os momentos de interação são equilibrados, sem forçar a barra.

Toda a dinâmica do Halestorm gira em torno de Lzzy e seu irmão, Arejay Hale. A primeira é uma das melhores cantoras da música pesada atualmente. É capaz de fazer o que quiser com sua voz, inclusive atingir tons extremamente agudos sem perder o drive. Além disso, diverte-se tanto quanto a plateia, pois o sorriso não sai de seu rosto. O segundo, baterista de mão cheia, tem seus momentos de showman e conduz o instrumental com naturalidade.

Além de sucessos como "Mz. Hyde", "Love Bites (So Do I)" e "I Miss the Misery", o repertório chamou atenção pela forte presença de canções do álbum mais recente, Everest (2025). Destas, destacaram-se "Rain Your Blood on Me", feita para arenas; "Like a Woman Can", de veia contemporânea; e "Watch Out!", um dos momentos mais metal da tarde de Monsters. Excelente show.

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1) Guns N' Roses

Fica difícil disputar com o Guns N' Roses em uma noite boa. Não apenas pelas performances — especialmente de Axl Rose, a grande variável em qualidade da banda ao vivo —, como também por escolhas de repertório. O grupo liderado pelo cantor junto de Slash (guitarra) e Duff McKagan (baixo) encurtou o espetáculo em 30 minutos e descartou as baladas batidas "Don't Cry" e "Patience" para incluir sons surpreendentes, a exemplo de "Dead Horse" e "Bad Apples", esta não tocada ao vivo há décadas.

Mas os hits, claro, são os responsáveis pela maior comoção. É nesse aspecto que o GN'R se diferencia de quase todas as bandas do planeta: sua galeria de sucessos chega a mais de uma dezena de canções, mesmo em um catálogo geral relativamente curto. Bastou tocar "Welcome to the Jungle" na abertura para promover catarse coletiva, mas a adrenalina não baixou com "It's So Easy", "Civil War", "Sweet Child O' Mine", "Estranged", "November Rain", "Nightrain" e "Paradise City", além das célebres versões para "Live and Let Die" (Wings), "Knockin' on Heaven's Door" (Bob Dylan) e mais.

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Foto: Rolling Stone Brasil

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