Por décadas, o público ouviu Elvis Presley, mas poucos sabem o que Elvis Presley ouvia. Sua coleção pessoal de discos, preservada até hoje em Graceland, sua casa em Memphis, reúne mais de 2 mil singles e álbuns que revelam um apetite musical muito mais amplo do que o rock 'n' roll que o consagrou. Gospel, country, soul, jazz, música clássica, comédia e até música natalina dividem espaço nas estantes do Rei do Rock.
Segundo o site do museu da casa do cantor, o gospel ocupa uma parte expressiva da coleção. Elvis era fã declarado dos Blackwood Brothers, grupo do qual possuía álbuns como Paradise Island, Oh Happy Day e Hymn Sing (1956). Também guardava discos de Mahalia Jackson, The Stamps Quartet, The Mormon Tabernacle Choir e The Statesmen Quartet. A coleção natalina seguia a mesma diversidade: discos do Jackson 5, Johnny Mathis, Bing Crosby e The Temptations misturavam o sagrado e o popular do período de festas.
O lado country da coleção reflete amizades reais. Elvis tinha vários discos do amigo Johnny Cash, incluindo o clássico "I Walk the Line", além de álbuns de Merle Haggard, Patsy Cline e Hank Williams. Do lado do rock, possuía o disco de grandes sucessos do Dave Clark Five, Magical Mystery Tour, dos Beatles, e Eat a Peach, do Allman Brothers, além de singles como "Whole Lot of Shakin' Going On", de Jerry Lee Lewis, e "Hooked on a Feeling", de B.J. Thomas.
O R&B, o soul e o blues também tinham uma presença forte. Ray Charles aparece repetidamente na coleção, com singles como "Hit the Road, Jack" e "America the Beautiful". Elvis também possuía discos de B.B. King, James Brown, Aretha Franklin, Chuck Berry e Little Richard, além da versão original de "Hound Dog", de Big Mama Thornton, música que ele tornaria mundialmente famosa em sua própria versão. O apoio aos músicos de Memphis também era visível: ele guardava vários discos do selo STAX, incluindo King & Queen, de Otis Redding e Carla Thomas, e singles de Al Green.
Fora do espectro estritamente musical, a coleção de Elvis guarda surpresas: um álbum de comédia de Cheech & Chong; discos com gravações de discursos de Martin Luther King Jr.; um disco de comédia de Bill Cosby; a trilha de West Side Story; e sinfonias de Mozart e Brahms. Ele também possuía o único álbum gravado pelo ator Charles Boyer, Where Does Love Go? — uma curiosidade entre tantos nomes do cancioneiro americano, que incluem Frank Sinatra, Nat King Cole, Roy Orbison e Duke Ellington. A coleção, hoje preservada na sala de TV de Graceland, funciona como um retrato íntimo de um homem cujos gostos musicais eram tão vastos quanto sua própria influência.