Fruto de 14 anos de produção e mais de 13 milhões de dólares, Chinese Democracy foi conduzido unicamente por Axl Rose após a saída da formação clássica do Guns N' Roses. Apesar da recepção mista, Slash elogiou a obra como prova da genialidade de Rose. Ao retornar à banda em 2016, o guitarrista passou a tocar essas faixas na turnê, ajudando a consolidar o disco mais caro do rock como um clássico cult e triplicando sua audiência nas plataformas digitais.
Apesar do guitarrista Slash ter ficado de fora do Guns N' Roses por duas décadas, a banda lançou apenas um álbum de estúdio sem sua presença. O músico se despediu do grupo em outubro de 1996, após divergências criativas e brigas com o vocalista Axl Rose, e apenas em abril de 2016 ele voltou a se apresentar com os colegas. Nos 20 anos de separação, a banda lançou um álbum controverso entre fãs, mas que tem como apreciador o instrumentista que ficou de fora.
A história de Chinese Democracy começa em 1994, quando Rose ficou sozinho no comando da banda. O guitarrista Gilby Clarke foi demitido pelo vocalista em meados de 1994 após atritos criativos, disputas contratuais e financeiras. Já Matt Sorum deixou o grupo em junho de 1997, também despensado por Rose. Finalmente, o baixista original do Guns N' Roses, Duff McKagan, deixou a banda em agosto de 1997, após o desligamento dos amigos. Praticamente despido da formação clássica, Rose decidiu recomeçar do zero, remontando remontando a banda peça por peça.
O projeto se arrastou por 14 anos. Passou por 15 estúdios, seis produtores e uma lista de 60 a 80 composições candidatas a faixa final (via Tone Deaf). Cada músico contratado recebia 11 mil dólares por mês, os técnicos de guitarra ganhavam 6 mil, o engenheiro-chefe faturava 14 mil e o responsável pelo software de gravação chegava a 25 mil, de acordo com o mesmo levantamento. A conta final passou de 13 milhões de dólares, o que tornou Chinese Democracy o álbum de rock mais caro já produzido, segundo a publicação Far Out.
A versão do disco que chegou ao mundo em 2008 não tem a melhor reputação nos círculos do rock, mas Slash considerou que não poderia ter feito um trabalho melhor do que o que Rose já havia feito, dizendo: "É um disco realmente bom. É muito diferente do som original do Guns N' Roses, mas é uma grande declaração do Axl. Agora você entende para onde ele estava indo o tempo todo. É um disco que o Guns N' Roses original jamais conseguiria fazer. E, ao mesmo tempo, mostra o quão brilhante o Axl é. Então, foi um alívio para mim finalmente ouvi-lo." (via Far Out)
Na mesma conversa, realizada antes do lançamento do álbum, nove faixas de Chinese Democracy haviam vazado na internet. Na entrevista com o Music Radar, Slash não poupou palavras para criticar o responsável. "Quando alguém pega o trabalho de outra pessoa e o lança prematuramente só para ficar famoso, é algo incrivelmente egoísta e criminoso. Um disco é uma obra de arte. E não deveria ser lançado até que o criador decida fazê-lo — e não me importa quanto tempo levou para criá-lo."
Em entrevista ao Team Rock, (via Whiplash.net), o guitarrista realizou um resumo similar do disco como um retrato fiel do parceiro que deixou para trás. "A primeira vez que ouvi o Chinese Democracy, achei que era o disco que Axl gostaria de ter feito antes que eu saísse. Então, é uma espécie de testemunho perfeito de Axl. Se tivesse sido lançado como um trabalho solo, todos ficariam surpresos", disse.
Slash também comentou sobre as músicas do álbum em sua volta ao Guns N' Roses. Durante a turnê Not In This Lifetime..., iniciada em 2016, canções como "Chinese Democracy" e "Better" passaram a integrar o repertório. Em uma conversa com Eddie Trunk (via Whiplash.net), o guitarrista também revelou que gosta de tocá-las e que precisou adaptá-las ao seu estilo: "Há algumas músicas ótimas naquele disco. Eu meio que as deixei mais do meu jeito, para que eu me sentisse mais confortável. E elas são simplesmente f*das".
Ele também elogiou os guitarristas que gravaram o álbum: Buckethead, Robin Finck, Ron "Bumblefoot" Thal, Paul Tobias e Richard Fortus. "Eles são guitarristas incríveis. Preciso cumprimentá-los, porque aquele material é bom. Muito diferente do que faço", declarou à Guitar World. Mesmo com uma má recepção inicial, o tempo tratou Chinese Democracy quase como um clássico cult. Depois que a formação original voltou a subir nos palcos juntos, o interesse por aquele disco solitário de Rose ressurgiu nas plataformas (via Tone Deaf), e os plays do projeto saltaram de 8 milhões para 24 milhões.