Mulher da capa de 'Around the Fur' do Deftones relembra foto icônica dos anos 1990

Lisa Hughes conta bastidores da sessão que resultou em uma das capas mais marcantes do metal alternativo

8 jan 2026 - 07h39

Quase 30 anos depois, a mulher por trás de uma das capas de álbum mais icônicas do metal alternativo finalmente decidiu contar sua versão da história. Lisa Hughes, que aparece na capa de Around the Fur (1997) do Deftones, conversou com a revista Jenkem e esclareceu rumores que circulam há décadas sobre aquela fotografia que se tornou símbolo de uma geração inteira do rock alternativo. A imagem provocativa de uma jovem em uma banheira de hidromassagem, capturada com lente olho de peixe em um ângulo único, virou uniforme não oficial de adolescentes rebeldes nos últimos anos, estampada em milhares de camisetas ao redor do mundo.

Foto: Ryan Bakerink ED/FilmMagic / Rolling Stone Brasil

https://www.youtube.com/watch?v=AFVNrox01SM

Publicidade

"Eu encontrei aqueles artigos sobre eu supostamente ser uma groupie e tudo mais", revelou Lisa à publicação. "Pensei que talvez devesse criar uma página sobre mim mesma para que as pessoas saibam quem sou de verdade. Sou apenas uma garota incrível de Auburn que gosta de se divertir. Não tem nada de groupie aqui, é só eu curtindo um momento incrível". A declaração busca desfazer anos de especulação sobre sua presença naquela sessão improvisada em Seattle, quando o Deftones gravava seu segundo álbum de estúdio. Para Lisa, a foto representa apenas um momento espontâneo de diversão que, por acaso, acabou eternizado na história do rock.

O fotógrafo Rich Kosick, responsável pelo clique, também compartilhou sua versão dos acontecimentos com a revista. Ele revelou que foi convidado pela banda para passar um tempo com eles em Seattle durante as gravações, com a missão vaga de "se divertir e tirar fotos" — nada sobre precisarem de uma capa de álbum. "Eles estavam em sua fase de festa naquela época. Voltamos para o condomínio que alugaram e havia essa garota na banheira de hidromassagem. Cheguei perto e tirei duas fotos. Só isso. Depois fui embora", contou Kosick. Semanas depois, a gravadora ligou informando que queriam usar aquela imagem como capa oficial.

"É uma foto muito legal, né?", contou Lisa. "Com a lente olho de peixe olhando pra baixo, meio arriscada com meus seios aparecendo. Tem gente que aponta: 'olha, você tem uma espinha ali'. E daí? Que diferença faz? Sou um ser humano, não sou modelo e sinceramente não ligo. Aquela sou eu. Quando você vê a foto completa com as pernas entrando na banheira, fica simplesmente incrível", continuou.

Além disso, o vocalista Chino Moreno comentou sobre a escolha da capa no Broken Record Podcast em 2025, explicando que Lisa era simplesmente "uma amiga que conhecemos em Seattle". Ele relembrou o processo de seleção da imagem: diversas fotos foram espalhadas sobre uma mesa e "literalmente todo mundo apontou para aquela". Moreno também expressou surpresa com a longevidade da imagem: "Vi recentemente uma comparação dela na época e agora. Quem poderia imaginar, né? Quando perguntamos se podíamos usar como capa, quem pensaria que 30 anos depois aquela seria uma foto tão icônica, com adolescentes usando em camisetas?".

Publicidade

Deftones segue relevante em 2026 com Private Music

O Deftones provou que continua tão relevante quanto era nos anos 1990 ao lançar Private Music no verão de 2025. O álbum ficou em quinto lugar no ranking dos 25 melhores álbuns internacionais da Rolling Stone Brasil de 2025.

Enquanto o mundo da música pesada caminha em direção à nostalgia, Deftones se mostra um raro nome a olhar para presente e futuro. Pudera: com apreço crescente em meio à Geração Z, o grupo ex-nu metal. Talvez por isso Private Music tenha levado cinco anos para sair. O décimo álbum do quarteto, atualmente reforçado pelo baixista Fred Sablan, foi costurado de modo cuidadoso em um processo de composição espaçado, no qual as canções eram deixadas "marinando".

Com uma polida produção de Nick Raskulinecz e dose extra de energia, Private Music oferece tudo o que fez do Deftones um nome influente no metalcore, blackgaze e até no indie: camadas de guitarra, melodias atmosféricas, bateria insana e os vocais versáteis de Chino Moreno, que salta da delicadeza à agressividade em um estalar de dedos. Destacam-se a hipnótica "Milk of the Madonna", a afável "Infinite Source" e a quase épica "Souvenir".

Em 2026, a banda planeja uma série ambiciosa de shows pelo mundo, incluíndo o Brasil. A banda se apresentará no Lollapalooza 2026 no dia 20 de março.

Rolling Stone Brasil
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se