Belo Horizonte ganhou um mural de 1.600 m² em homenagem a Milton Nascimento, às vésperas de seus 84 anos. Criada pelo muralista Kaká Chazz na avenida Álvares Cabral, a obra retrata a juventude e a turnê de despedida do músico em 2022, unindo elementos do barroco mineiro e da cultura popular. A intervenção faz parte da 20ª edição do projeto Fábrica de Graffiti, que revitaliza a capital mineira e celebra o legado do lendário fundador do Clube da Esquina e ícone da MPB.
Belo Horizonte recebe um mural de 1.600 metros quadrados em homenagem a Milton Nascimento, que completa 84 anos no próximo mês. A obra de arte, assinada pelo muralista Kaká Chazz, se localiza no centro da capital, ocupando a lateral de um prédio na avenida Álvares Cabral, nº 347, próximo à rua Timbiras.
A pintura retrata Milton em diferentes fases da vida: na parte superior, é ilustrado o cantor durante sua turnê de despedida dos palcos em 2022, e, na parte inferior, Milton quando jovem. Veja a seguir imagens do mural em produção, registradas no último domingo, 20, pelo @peagadrone:
🏙️ Mural gigante de Milton Nascimento ganha cores em BH; veja como está a obra https://t.co/XDqM9UvXzA
— Metrópoles (@Metropoles) September 22, 2026
O artista Kaká Chazz é natural de Três Pontas, no sul de Minas Gerais, cidade onde Milton, carioca, passou grande parte da infância. No último final de semana, o filho do artista, Augusto Nascimento, comentou sobre o mural nas redes sociais.
"Hoje cedo tive a alegria de visitar a linda homenagem ao meu pai que o @kaka.chazz tá quase concluindo em Belo Horizonte. Kaká é um artista genial de Três Pontas, cidade onde meu pai cresceu e que o converteu no mais mineiro de todos os mineiros, ainda que tivesse (apenas) nascido no Rio.
BH, que já era linda, agora ficou maravilhosa ", escreveu.
O mural reúne elementos do barroco mineiro com referências ao sertão, à fé e à cultura popular. Chazz comentou sobre o projeto: "Pintar o Milton não é simplesmente pintar um grande artista que admiro. É pintar uma pessoa que teve uma trajetória de muitas lutas, mas que se entregou verdadeiramente àquilo em que acreditava: à arte e ao povo" (via Folha de S. Paulo).
O mural integra a 20ª edição do projeto Fábrica de Graffiti, que tem como objetivo humanizar e revitalizar espaços da cidade por meio da valorização da arte urbana. O projeto, patrocinado pela Fundação ArcelorMittal, também inclui outras obras recentes no centro de BH, como intervenções de Ailton Krenak e Rafaela Ianni.
O legado de Milton Nascimento
Um dos maiores ícones da Música Popular Brasileira (MPB), Milton Nascimento foi fundador do Clube da Esquina — movimento inovador que surgiu em Belo Horizonte no período da Ditadura brasileira (1964-1985), incorporando elementos do rock, da bossa nova e do jazz aos ritmos regionais — ao lado de Lô Borges.
As canções do Clube da Esquina carregavam mensagens sociais, políticas e existenciais importantes para a formação cultural da nação. Em um período de censura e repressão, o movimento se tornou símbolo de resistência e da busca por liberdade e novas possibilidades artísticas.
Ao longo de sua carreira, Milton gravou mais de 30 álbuns — entre discos solo e parcerias — e assinou clássicos como "Travessia", "Maria Maria", "Canção da América" e "Nada Será Como Antes".
O artista se despediu dos palcos em 2022, com a turnê A Última Sessão de Música. O show de encerramento foi realizado no dia 13 de novembro, no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte.