Roger Waters revela por que considera 'Wish You Were Here' o último álbum do Pink Floyd

Declaração bombástica de lendário músico britânico reacende um debate clássico na história do rock

24 ago 2026 - 14h55
Resumo
Roger Waters considera "Wish You Were Here" (1975) o último álbum real do Pink Floyd. Segundo ele, após o sucesso de "The Dark Side of the Moon", a ambição coletiva se perdeu e os integrantes se distanciaram criativamente. Embora o grupo tenha lançado marcos posteriores como "Animals" e "The Wall", Waters afirma que a essência da banda já havia acabado, transformando os projetos seguintes em meras estruturas formais sem o espírito colaborativo e a união que definiam o quarteto.
Roger Waters revela por que considera 'Wish You Were Here' o último álbum do Pink Floyd
Roger Waters revela por que considera 'Wish You Were Here' o último álbum do Pink Floyd
Foto: The Music Journal

A saga do Pink Floyd é um épico de genialidade musical e tensões internas que moldaram o panorama do rock progressivo. Mas, e se o fim da banda, tal como a conhecíamos, tivesse ocorrido muito antes do que os registros oficiais sugerem?

Essa é a provocação que Roger Waters, uma das mentes mais influentes por trás do grupo, lançou décadas atrás e que continua a reverberar no universo musical. Sua perspectiva radical sobre o ponto de ruptura da banda desafia a cronologia que muitos fãs e historiadores da música aceitam, reposicionando um dos álbuns mais aclamados como um epitáfio disfarçado.

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A Ascensão e a Ambição Quebrada

O ano de 1973 marcou um divisor de águas. Com The Dark Side of the Moon, Pink Floyd não apenas conquistou o mundo, mas redefiniu o sucesso comercial e artístico. Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason, uma unidade criativa que parecia inquebrável, alcançaram o zênite.

O álbum foi um fenômeno cultural, solidificando a banda no panteão dos grandes. No entanto, o próprio sucesso colossal pode ter sido o catalisador de sua fragmentação. Na visão de Waters, a busca incessante por um sonho coletivo esvaiu-se no momento em que ele foi plenamente realizado. Aquele anseio que os unia, a fome artística e a busca por algo maior, parece ter se dissipado, deixando um vazio que nem mesmo a consagração mundial conseguiria preencher.

O Vazio em Meio à Glória

Quando o quarteto se reuniu para dar vida a Wish You Were Here, em 1975, a energia no estúdio já não era a mesma. A euforia do triunfo deu lugar a uma espécie de "barriga cheia" criativa, uma saciedade que, ironicamente, minava a conexão entre eles. Sem um objetivo unificador palpável, a distância emocional e artística começou a se instalar. Essa fissura, sutil no início, aprofundou-se a cada novo projeto, transformando o que era uma banda coesa em uma mera estrutura nominal.

A percepção de Waters é contundente: em uma entrevista de 1992 à revista Musician, ele declarou:

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"Em Wish You Were Here, a gente já não estava mais lá. Por dentro todos já tínhamos saído da banda em momentos diferentes. Até por isso, de certa forma, é um bom disco: porque expressa isso honestamente […] Então, para mim, Wish You Were Here foi o último álbum do Pink Floyd."

A Estrutura que Sobrou

Essa confissão de Waters ilumina uma perspectiva fascinante sobre o processo criativo e as dinâmicas de grupo. Ele não nega a qualidade musical de Wish You Were Here, mas contextualiza-o como um reflexo sincero do desengajamento interno. Para ele, o que se seguiu foram projetos que, embora grandiosos em sua escala e impacto, careciam da alma colaborativa que definia o Pink Floyd de outrora.

Ele complementou na mesma entrevista:

"A estrutura que estava montada no final da década de 70 e que me permitiu fazer The Wall era boa; só que, àquela altura, era só uma estrutura. Não havia dúvida de que não existia mais uma 'banda' em lugar algum no Pink Floyd."

É um paradoxo intrigante: após o que Waters considera o "último álbum", o Pink Floyd ainda entregaria obras-primas como Animals (1977) e o monumental The Wall (1979). A banda, em sua formação clássica, continuou a produzir arte de vanguarda, mas a essência do coletivo, segundo seu principal letrista, já havia se desfeito.

A saída oficial de Roger Waters em 1985, dez anos antes do lançamento de Pulse em 1995 que marcaria o fim de uma era, foi apenas a formalização de um rompimento que, em sua visão, se materializou silenciosamente nas entrelinhas de Wish You Were Here. Essa visão nos convida a reavaliar não apenas a cronologia, mas a própria natureza da colaboração artística em um dos maiores ícones da cultura pop.

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