O Fontaines D.C. acerta ao manter sua identidade sonora em "Dopamine Chamber", fugindo de reinvenções desnecessárias. Vinda de Dublin e em alta desde 2019 com a estreia "Dogrel", a banda irlandesa consolidou uma sequência de álbuns aclamados. Liderado pelos vocais poéticos e críticos de Grian Chatten, o grupo reafirma a força de sua fórmula original, mantendo-se fiel à essência que o transformou em um dos nomes mais relevantes e reconhecíveis do cenário do rock atual.
Tem banda que a cada disco novo acorda querendo ser outra pessoa. Muda o cabelo, muda o som, aparece com orquestra, com sintetizador, com um saxofone que ninguém pediu… E aí tem o Fontaines D.C., que entra na sala sacudindo a chuva de Dublin do casaco pesado, pede uma pint de Guinness e pergunta: "mas por que eu mudaria o que já funciona?"
Pra quem chegou agora (senta aí, a gente se ajeita): o Fontaines é uma banda de Dublin que explodiu em 2019 com Dogrel e, desde então, só empilhou disco bom em cima de disco bom (a gente pode até tentar ser imparcial, mas nesse caso, não tem como ter outra opinião).
O nome vem de Johnny Fontane, o cantor de O Poderoso Chefão, e o "D.C." é de Dublin City. À frente de tudo está o Grian Chatten, que canta como quem recita um poema e xinga o governo no mesmo fôlego, e resumindo muito podemos dizer que isso o tornou uma das vozes mais reconhecíveis do rock hoje.