Ebony se torna a 1ª rapper a receber medalha especial do Rio

Cantora carioca ascende ao panteão fluminense, redefinindo o papel da mulher no rap e inspirando uma nova geração

2 jul 2026 - 14h16
Ebony se torna a 1ª rapper a receber medalha especial do Rio
Ebony se torna a 1ª rapper a receber medalha especial do Rio
Foto: The Music Journal

A cena cultural carioca foi palco de um momento de virada que ressoa muito além das fronteiras do rap. Na última terça-feira, Ebony, uma das vozes mais potentes e autênticas da música brasileira contemporânea, gravou seu nome na história ao receber a Medalha Tiradentes.

Concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), esta é a mais alta honraria que o estado pode conferir, e Ebony se tornou a primeira mulher do rap a ostentá-la, um feito que ecoa sua trajetória de vanguarda e representatividade.

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A solenidade, que transbordou significado, aconteceu durante o evento Hip Hop Contra o Feminicídio, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O contexto não poderia ser mais emblemático: a celebração do talento e ativismo de Ebony dentro de um espaço acadêmico que, por muito tempo, a rapper enxergou como distante. Sua fala durante a cerimônia revelou a completude desse ciclo, um testemunho de superação e inspiração.

Um marco para a cultura e a representatividade

Desde sua criação em 1989, a Medalha Tiradentes tem reconhecido indivíduos e instituições que dedicaram sua energia a serviços notáveis para o estado. A inclusão de Ebony nessa galeria não é apenas um reconhecimento artístico; é um endosso ao poder da cultura periférica, ao protagonismo feminino e à incansável defesa dos direitos humanos, bandeiras que a artista empunha com veemência em suas obras e em sua vida.

Nas redes sociais, a emoção de Ebony foi palpável e rapidamente viralizou, conectando-se diretamente com sua base de fãs e admiradores. Ela traduziu a conquista com a sagacidade que lhe é peculiar:

"Cansei de cordões de ouro. Comecei a colecionar medalhas 🥇. Obrigada por fazerem de mim a primeira mulher a receber a mais alta honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Usarei como amuleto"

A força do hip hop na luta social

A iniciativa para a homenagem veio da deputada estadual Dani Monteiro, presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Hip Hop, evidenciando a crescente articulação entre a política e a cultura na busca por transformações sociais. A contribuição de Ebony para a música e para a cultura periférica, aliada à sua voz na defesa dos direitos humanos, justificam plenamente a escolha.

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Em um discurso que ecoou pelos corredores da UERJ, Ebony não apenas celebrou a honraria, mas a ressignificou. Ela reiterou a importância de inspirar jovens negros e periféricos a desbravar fronteiras, a ocupar todos os espaços.

"Não existe nenhum lugar no mundo que eles não possam ocupar, desde que acreditem neles mesmos", declarou.

Hip Hop como ferramenta de transformação

O evento que acolheu a premiação de Ebony foi mais do que uma cerimônia; foi um caldeirão de ideias, reunindo artistas, produtores culturais, acadêmicos e ativistas do hip-hop. O objetivo era claro: debater como essa cultura vibrante pode ser uma ferramenta eficaz no combate à violência contra as mulheres. A atmosfera de colaboração e engajamento resultou na discussão de estratégias e na promoção de uma maior conscientização.

Além da consagração de Ebony, o encontro marcou o lançamento da Universidade do Hip Hop, um projeto inovador que selecionou oito MCs para participar de atividades de extensão na UERJ, um testemunho do poder da educação e da cultura para transformar vidas. A programação cultural se expandiu com a apresentação do livro MC Não É Bandido, obra que ganha ainda mais peso com um texto de contracapa assinado pela própria Ebony, reforçando sua influência e sua voz em diversas frentes.

The Music Journal Brazil
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