Após um hiato dedicado à moda e ao audiovisual, a dupla Medulla, formada pelos irmãos Keops e Raony, lança o álbum "No Dia Que Tudo Mudou". O projeto condensa dez anos de composições em uma sonoridade orgânica e experimental, marcada por jazz, R&B, música brasileira e percussão corporal. O trabalho conta com participações de artistas como Urias e Lirinha, simbolizando o amadurecimento e a transformação criativa do duo, que agora planeja retornar aos palcos com uma nova turnê.
Depois de um hiato dedicado à direção criativa, ao audiovisual e à moda, o Medulla retorna à música com uma nova perspectiva sobre a própria trajetória. Formada pelos irmãos Keops e Raony, a dupla transformou dez anos de composições, experiências e mudanças pessoais em No Dia Que Tudo Mudou, álbum que aposta em uma sonoridade orgânica e experimental, com beatbox, sons do corpo, efeitos vocais e referências que passam pelo jazz, R&B e pela música brasileira.
Mais do que marcar o reencontro com o estúdio e os palcos, o trabalho inaugura uma fase em que as diferentes experiências acumuladas pelos irmãos passam a fazer parte da identidade do Medulla. Em entrevista ao Terra, Keops e Raony falam sobre desapego, amadurecimento, as participações de Urias, Lirinha, Flor e Yego, as influências que ajudaram a moldar o disco e os planos para uma nova etapa marcada por encontros, experiências e pela vontade de cair na estrada.
"No Dia Que Tudo Mudou" fala diretamente sobre transformação.
Desapegar da trajetória sonora do projeto, de expectativas externas e internas e permitir uma abertura total entre nosso eu e as músicas que estavam nascendo.
O disco reúne músicas compostas ao longo de dez anos.
Foi muito prazeroso perceber o quão pessoal o projeto estava se tornando. É quando a poesia cria um retrato do que somos e vivemos, quando o som materializa esses sentimentos.
Existe uma diferença entre aquilo que vocês queriam dizer quando essas músicas foram escritas e o significado que elas ganharam agora?
Acho que agora elas se encontram com histórias que não são nossas, com pessoas que encontram nessas músicas um trampolim ou um cantinho para sentar e ver a vida.
O conceito do álbum parece partir de uma inquietação com a permanência e o conforto.
Fazemos música desde criança, então precisamos de um hiato para poder entender quem nós éramos como pessoas. Ir além da nossa zona de conforto, procurar novos universos e vivências.
Vocês trabalham juntos como irmãos e como artistas.
A gente é muito complementar em tudo. Temos skills diferentes, mas temos um olhar prático e artístico muito parecido. Com o período de pausa na música, nos dedicamos à direção no universo do audiovisual e da moda, trabalhando com muitos artistas e marcas que admiramos.
O disco tem uma sonoridade bastante orgânica, com beatbox, respiração, efeitos de voz e sons do próprio corpo.
Uma vez, a gente viu uma masterclass do Timbaland. Ele basicamente entrava no estúdio e gravava grande parte do beat com sons de boca e do corpo. Depois, ele e os assistentes iam substituindo elementos, timbres e tal. A gente logo entendeu que isso faria a gente fugir de vícios de instrumento, deixando tudo muito mais natural.
Fugir do "loop" também era um dos nossos maiores objetivos. Tudo deveria correr como no jazz, buscando improvisos e caminhos orgânicos.
Participações como Urias, Lirinha, Flor e Yego ampliam bastante o universo do álbum.
A gente queria muito que as participações trabalhassem para a sonoridade das músicas, que soassem como instrumentos, que fossem a voz dos personagens de cada cena. Foi incrível criar com cada um deles!
Há referências muito diferentes no disco, de Lenine e Otto a Chico Science & Nação Zumbi e Marisa Monte, passando pelo jazz e pelo R&B.
A gente cresceu em uma geração diretamente impactada por artistas experimentais. Muita coisa nasceu diante dos nossos olhos. Esses artistas ajudaram a criar uma ponte do Brasil com o "futurismo", lááá no passado! (risos) Essa sonoridade que tem brasilidade e beats eletrônicos não existiria sem eles.
O conceito visual apresenta vocês como uma pessoa dividida em dois corpos.
Essa imagem é a conversa com o espelho da mente.
Depois de tantos anos de trajetória, o que vocês enxergam de diferente no Medulla que está chegando agora ao público?
Somos completamente novos. Muitas coisas aconteceram com a gente nesse período de hiato do projeto. Nossa experiência com direção criativa, design de experiências, criando universos no audiovisual, abre um milhão de possibilidades nessa nova fase.
A turnê traz cenografia inédita e um novo repertório.
Nossos encontros são pensados por experiência, mesmo que o repertório seja parecido. Os formatos podem mudar. Queremos brincar com os espaços, não precisamos seguir um padrão.
Olhando para o restante de 2026, qual é o próximo "ponto de virada" que vocês gostariam que acontecesse na carreira do Medulla?
A gente quer cair na estrada e reencontrar as pessoas, colecionar novos dias que mudam tudo.
Confira: