Em meados dos Anos 80, o Rock vivia uma transformação. No plano internacional, a revolução eletrônica que começou na década passada abria caminho para bandas como Depeche Mode, Duran Duran e The Cure; no Brasil, o mesmo período carregava uma carga ainda mais urgente, e foi especialmente em 1984, quando surgiu a campanha das Diretas Já, que Marina Lima entregou o emblemático Fullgás.
Enquanto nomes como Os Paralamas do Sucesso, Titãs, Barão Vermelho e Legião Urbana davam uma sequência praticamente natural às experimentações dos anos anteriores, a influência do New Wave, do Post-Punk, do Technopop e de tantas outras sonoridades ganhou um expoente perfeito em Marina Lima, que ousou resgatar elementos ao mesmo tempo em que buscava novos sons para criar um trabalho que é retrato de sua época mas envelheceu como vinho.
Mais de quatro décadas depois de seu lançamento, com um show comemorativo marcado como parte do C6 no Rock, Fullgás segue como um dos retratos mais precisos, elegantes e ousados já feitos da música pop brasileira.