Mary J. Blige conseguiu o arquivamento do processo movido contra ela pela ex-amiga e stylist Misa Hylton. As informações são da Rolling Stone.
Em decisão registrada na terça-feira, uma juíza de Nova York rejeitou o caso e fez um alerta duro após Hylton deixar passar o prazo para responder às acusações graves que havia feito, segundo as quais Blige teria tentado "roubar" um músico de sua carteira de agenciamento.
A juíza Phaedra F. Perry-Bond afirmou que a falta de resposta de Hylton ao pedido de arquivamento apresentado por Blige "configura o abandono" de suas alegações. A magistrada não chegou a impor sanções, mas deixou claro seu descontentamento.
"O tribunal de forma alguma endossa que partes ingressem com ações judiciais pleiteando milhões de dólares em indenização com base em acusações inflamatórias, apenas para depois abandonarem essas mesmas alegações quando confrontadas com um pedido de arquivamento e possíveis sanções", escreveu a juíza. "As autoras e seus advogados devem considerar isto um aviso para se absterem de adotar padrões de comportamento semelhantes no futuro. Este aviso por escrito pode servir como prova significativa em um eventual pedido futuro de sanções, caso as autoras e/ou seus advogados continuem a empregar táticas de litigância de má-fé semelhantes".
Hylton, uma stylist em ascensão que namorava Sean Combs, também conhecido como Diddy, quando começou a trabalhar com Blige no início dos anos 1990, ajudou a compor o visual da cantora durante a divulgação do álbum de sucesso de 1992, What's the 411?. As duas se tornaram amigas, mas qualquer afeto remanescente terminou quando Hylton entrou com a ação em 29 de abril.
Na queixa, Hylton acusou Blige de tentar "coagir" o rapper do Harlem Vado, que era gerenciado por ela, a rescindir seu contrato de agenciamento. Hylton alegou que Blige pretendia levar o artista para sua própria empresa, a Beautiful Life Productions, onde ele também teria um contrato de gravação.
Hylton afirmou ainda que Blige e seus representantes a "excluíram intencionalmente" de reuniões com Vado realizadas em ambientes "íntimos e inadequados", como "passeios noturnos de iate" e quartos de hotel. Segundo ela, os réus "sabotaram deliberadamente" sua relação com o músico.
No pedido de arquivamento, Blige e seus advogados afirmaram que Hylton não tinha base legal para o processo. Eles disseram que a empresa de Hylton, a M.I.S.A. Management, não era uma corporação válida e que Hylton não possuía licença de agente artístico, exigida por lei. Alegaram ainda que Hylton, que tem um filho com Combs, entrou com a ação com o "único propósito de assediar e causar dano malicioso a [Blige], motivada por animosidade pessoal contra a Sra. Blige".
Vado, identificado no processo como Teeyon Winfree, apareceu como coautor da ação. De acordo com a queixa, ele alegava que Blige se recusou a lançar suas músicas e lhe devia ao menos US$ 5 milhões por quebra de contrato.
Antes de protocolar o pedido de arquivamento, a equipe jurídica de Blige — que inclui Sarah M. Matz e a renomada advogada do setor musical Lisa Moore — enviou uma carta exigindo a "retirada imediata" das acusações "sem fundamento". As advogadas disseram que uma "simples consulta" a um banco de dados estadual mostrou que a empresa de Hylton não era uma "corporação devidamente constituída no estado de Nova York", o que impediria a M.I.S.A. Management de "comprovar a existência de um contrato válido, requisito básico para uma alegação de interferência ilícita em contrato".
A carta também afirmava que as próprias ações de Winfree atrasaram o lançamento de suas músicas. Segundo os advogados, o artista não entregou material comercializável porque "nenhum dos consentimentos e autorizações foi fornecido, apesar de múltiplos pedidos". Eles alegaram ainda que Hylton já teria recebido mais do que lhe era devido, pois teria ficado com comissão sobre mais de US$ 300 mil pagos a Winfree, valores que eram recuperáveis conforme o contrato fonográfico. A carta incluía ainda uma mensagem de texto supostamente enviada por Winfree, na qual ele teria mencionado que considerava "demitir" Hylton por conta própria.
Hylton, Winfree e o advogado deles não responderam aos pedidos de comentário feitos na terça-feira. Winfree, que formou o duo de hip hop U.N. com o artista Cam'ron em 2009, já havia publicado em seu Instagram algumas de suas colaborações musicais com Blige.