Johnny Hooker homenageia vítimas da epidemia de HIV/Aids no single '2 Punks Neon'

Com videoclipe inédito, a canção "fala sobre corpos que insistem em existir, amar, criar e ocupar espaços mesmo quando tudo parece empurrar a gente para o medo"

26 jun 2026 - 11h10

Em celebração ao mês do orgulho LGBTQIAPN+, Johnny Hooker lançou, nesta quinta, 25, "2 Punks Neon", novo single de seu álbum Viver e Morrer de Amor na América Latina (2025), acompanhado de um videoclipe inédito. O cantor e compositor recifense explica que a canção nasceu de uma reflexão sobre a importância de preservar o encantamento das primeiras experiências, mesmo diante do medo, da violência e do avanço do conservadorismo.

Johnny Hooker em videoclipe de "2 Punks Neon"
Johnny Hooker em videoclipe de "2 Punks Neon"
Foto: Divulgação / Rolling Stone Brasil

"Essa música surgiu de um desejo muito forte de continuar acreditando no afeto e nas pessoas mesmo depois de tudo que a nossa geração viveu. '2 Punks Neon' fala sobre não deixar o medo endurecer completamente a gente. Tem muito da memória das primeiras descobertas, daquela sensação de sair pela cidade pela primeira vez, se apaixonar, encontrar sua turma, entender quem você é. Acho que existe uma beleza muito poderosa nesse momento da vida e eu queria guardar isso na música", diz Hooker.

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O videoclipe da canção homenageia as vítimas da epidemia de HIV/AIDS e as pessoas que convivem com a doença até os dias de hoje. "Eu queria fazer uma música que lembrasse que ainda existe beleza mesmo no meio do caos. '2 Punks Neon' fala sobre corpos que insistem em existir, amar, criar e ocupar espaços mesmo quando tudo parece empurrar a gente para o medo. É uma música sobre continuar sonhando sem abrir mão da própria liberdade", afirma.

Nascido John Donovan Maia, Johnny Hooker ganhou destaque na cena nacional por mesclar pop, MPB e bolero com uma forte teatralidade. Ele considera seu quarto álbum de estúdio, Viver e Morrer de Amor na América Latina, o mais pessoal de sua trajetória; o projeto incluiu participações de Ney Matogrosso, Daniela Mercury e Lia de Itamaracá.

Hooker afirmou à Rolling Stone Brasil que o disco surgiu de forma espontânea: "Eu fui compondo várias canções e quando me dei conta o álbum se apresentou para mim. Percebi que ali tinha um projeto que falava de uma maneira muito poderosa a respeito da maneira como eu me relaciono com a música, o passeio que minha música faz pelos ritmos nordestinos, brasileiros, latino-americanos. Não teve nenhuma intenção por trás, apenas escrever as canções mais bonitas e sinceras que eu pudesse", explicou na época do lançamento.

"2 Punks Neon" carrega influências da estética underground dos anos 1980 e 1990, do pós-punk e do rock queer brasileiro e latino-americano, sem perder a essência da música popular contemporânea. "Pra mim, o espírito punk nunca desapareceu, ele só encontrou novos lugares para existir", diz Hooker.

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Hoje eu vejo isso no funk, no trap, no brega, na música periférica, nos artistas independentes e em toda manifestação artística que insiste em questionar a violência do sistema, os padrões de comportamento e as estruturas de exclusão. '2 Punks Neon' fala muito sobre isso. Sobre continuar acreditando, ocupando espaço, vivendo e fazendo arte.

Assista ao videoclipe abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=5D14dlDH4ho

Rolling Stone Brasil
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