Ed Sheeran se apresentou sozinho e chorou na Filadélfia após enfrentar uma crise pelo cancelamento de Macklemore de sua turnê, vetado após discursos pró-Palestina. O episódio provocou uma debandada em massa de sua banda de apoio e de artistas convidados, além de protestos do público e duras críticas de seu próprio primo. Emocionado no palco sem a estrutura habitual por questões de segurança, Sheeran desabafou sobre o abandono de amigos e familiares durante o que chamou de sua pior semana.
Ed Sheeran subiu ao palco do Lincoln Financial Field, na Filadélfia, no sábado, 19, sozinho — sem banda de apoio, sem artistas de abertura e sem parte da estrutura habitual do show. Em determinado momento, sentou-se de pernas cruzadas e chorou.
"Nessa situação, você descobre quem são seus amigos. Foi uma semana estranha", disse ao público, em vídeo gravado por fãs e amplamente compartilhado. "Eu sentia que meus amigos, minha família e pessoas que eu conheço estavam me abandonando." Em seguida, olhou para os 50 mil presentes e completou: "No fim da semana, eu vejo 50 mil pessoas que não me abandonaram".
This crying act made me dislike Ed Sheeran more than I already did before and also annoy me and think of him as a slimy c*nt. pic.twitter.com/LdFdvX0Vu4
— Marie (@Antiiimarie) September 20, 2026
A crise começou em 4 de setembro, quando Macklemore — contratado como atração de abertura da Loop Tour em agosto de 2026 — encerrou o show no MetLife Stadium, em East Rutherford (Nova Jersey), com um discurso de apoio à Palestina e uma performance de "Hind's Hall", faixa de protesto lançada em 2024. Ele repetiu o gesto no dia cinco.
Em 6 de setembro, o Israeli-American Council publicou uma petição pedindo a retirada do rapper da turnê. Segundo o próprio Macklemore, Robert Kraft, proprietário do New England Patriots e do Gillette Stadium, onde Sheeran tocaria em 25 e 26 de setembro, informou que o artista não poderia se apresentar no estádio. Em 14 de setembro, Macklemore foi oficialmente removido da turnê.
A reação da indústria foi imediata. Em 15 de setembro, Aaron Rowe, Finneas, Lukas Graham e o grupo irlandês Beoga anunciaram a saída da turnê em solidariedade ao rapper. A própria banda de apoio de Sheeran teria seguido o mesmo caminho.
No dia seguinte, 16 de setembro, Macklemore anunciou que doaria US$ 1 milhão, o equivalente a todos os ganhos com a Loop Tour, a seis organizações de apoio ao povo palestino, entre elas Palestine Children's Relief Fund, HEAL Palestine e Gaza Soup Kitchen. Também desafiou Kraft a igualar a doação. O empresário, segundo o Page Six, doou US$ 2 milhões e disse que o gesto atendeu a um pedido de Sheeran.
No show de Filadélfia, Sheeran contou que retirou o palco B, a estrutura montada no meio do público, por medo de que algo fosse arremessado em sua direção. "Eu admito isso", disse. Do lado de fora do Lincoln Financial Field, manifestantes pró-Palestina protestavam contra o evento, segundo a Associated Press via PBS NewsHour.
Nos bastidores, o primo do cantor, Jethro Sheeran, o atacou publicamente dias antes no Instagram: "Finalmente está tudo vindo à tona. Estou envergonhado do meu primo Ed. Ele é um indivíduo egoísta, com maneiras maliciosas e ardilosas. Ele me prejudicou, zombou da minha saúde mental." Jethro também afirmou acreditar que a decisão de retirar Macklemore teria partido do próprio Ed, e não do promotor — o que contraria a versão oficial do cantor.
Sheeran encerrou o show dizendo que foi a melhor apresentação de sua vida, e também a pior semana. "O mundo é um lugar assustador agora. A América é um lugar assustador agora", afirmou, apontando para o público. "Isso dá esperança." Os próximos shows estão marcados para 25 e 26 de setembro, no Gillette Stadium, o estádio de Robert Kraft, o mesmo proprietário que, segundo Macklemore, iniciou a pressão que desencadeou a crise.