Viver o turbilhão do rompimento de uma banda em meio a uma relação tumultuada entre integrantes nem sempre permite a um dos envolvidos ter a clareza mental do que está acontecendo. Há casos, porém, em que a aceitação da situação pode ficar mais fácil: basta que se receba um ensinamento de um Beatle. Foi o que aconteceu com Johnny Marr.
O ano era 1987, e o guitarrista soube pela imprensa que estava prestes a ser demitido da banda britânica The Smiths. A relação com Morrissey já não era nada boa. Diante disso, Marr decidiu sair por conta própria.
Em entrevista à Mojo (via Guitar Player), o músico narrou que foi em um encontro que teve com Paul McCartney e Linda, mulher do Beatle e falecida em 1998, que mudou sua forma de ver as coisas.
Ele revelou a notícia sobre o fim da banda, e Paul fez um comentário em um certo tom de resignação:
"Banda é assim mesmo."
A Johnny, soou como uma epifania:
"É uma resposta genial vindo dele. Ao longo dos anos, me pediram conselhos. E às vezes é simplesmente hora de dizer: 'Banda é assim mesmo'."
Marr descreveu o encontro que teve com Paul e Linda como "um dia longo e incrível":
"Linda era uma pessoa muito generosa, me perguntava tudo sobre a minha vida. E Paul estava ali sentado. Contei a ele sobre o fim da banda. Olhei para ele e esperei. Ele só disse: 'Banda é assim mesmo'."
Johnny Marr após o fim do The Smiths
Após o fim dos Smiths, Johnny Marr se tornou um músico de estúdio e trabalhou com muita gente. Ele reconhece as parcerias como fundamentais na carreira e cita pessoas como Matt Johnson (The The), Bernard Sumner (Joy Division, New Order), Chrissie Hynde (Pretenders) e Bryan Ferry, por exemplo.
O guitarrista conclui:
"Se você olhar para isso como um currículo, parece que fico pulando muito de galho em galho, mas sei quando tenho um bom trabalho."