O Tidal anunciou uma nova política para coibir a presença desenfreada de inteligência artificial em seu acervo musical. A partir de 15 de julho deste ano, a plataforma deixará de pagar royalties para músicas identificadas como 100% geradas por IA.
A medida representa a postura mais drástica adotada por uma grande plataforma do setor até o momento. Enquanto Spotify e Apple Music optaram apenas pelo caminho da transparência — aplicando rótulos para indicar o uso de robôs, mas mantendo a monetização —, o Tidal decidiu atacar também a raiz econômica do problema.
A medida anunciada pelo Tidal foca nas faixas criadas inteiramente por algoritmos e conteúdos sem intervenção humana. Segundo comunicado da empresa (via Variety), o objetivo é proteger e recompensar a criatividade orgânica:
"Os artistas devem ter a liberdade de criar com ferramentas de IA, mas os ouvintes devem ter a autonomia de escolher o tipo de conteúdo que consomem. Devido aos problemas associados à enxurrada de conteúdo gerado por IA, exigiremos um padrão mais elevado de integridade para esse tipo de conteúdo."
A plataforma não vai deletar as faixas do catálogo — a menos que envolvam fraudes ou falsificação de identidade de artistas reais. No entanto, será aplicado um selo visual "IA" bem visível e cortará qualquer receita de transmissão ou venda direta de fãs.
Medida tomada pelo Deezer
Recentemente, a plataforma francesa Deezer lançou uma ferramenta online e gratuita capaz de detectar faixas geradas por IA em playlists de até 20 serviços de streaming concorrentes (via CNN Brasil).
O Deezer revelou dados preocupantes: quase 44% de todo o conteúdo musical novo recebido diariamente pela plataforma já é gerado por computadores, o que se traduz em cerca de 75.000 faixas sintéticas por dia (um salto considerável se comparado às 60.000 registradas em 2025).
Inteligência artificial e direitos autorais
De acordo com um estudo da Cisac (Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores), estima-se que até 2028 cerca de 25% da receita dos artistas — o equivalente a 4 bilhões de euros anuais — corra o risco de ser desviada por músicas geradas a partir de IA.