Em seu novo livro, Charles Spencer, irmão da princesa Diana, causou forte atrito com a realeza britânica ao relatar os bastidores do conturbado casamento da irmã e afirmar que o rei Charles ficou "eufórico" com a morte dela em 1997. As revelações reabriram feridas históricas na monarquia e provocaram uma reação incomum do Palácio de Buckingham, que contestou a lucidez das memórias de Spencer, acusando o luto de afetar seu julgamento, crítica duramente rebatida pelo autor.
Charles Spencer, irmão da falecida princesa Diana, já tem experiência em escrever livros sobre reis britânicos.
Entre seus best-sellers anteriores estão "Killers of the King" e "To Catch a King" e, embora essas duas obras tenham se concentrado no século 17, alguns podem dizer que seu livro mais recente segue a mesma linha.
"Swan Song: Diana, My Sister", lançado nesta terça-feira, apresenta sua visão sobre a vida de sua irmã e o casamento infeliz dela com o atual rei Charles. Em trechos divulgados antecipadamente, Spencer afirma que Chales ficou "eufórico" após a morte de Diana em 1997, reabrindo um episódio doloroso para a família real.
Spencer, de 62 anos, disse que escreveu o livro porque era seu dever "como testemunha ocular da história", mas sua versão dos fatos foi rejeitada pelo Palácio de Buckingham em termos excepcionalmente veementes.
"A dor do luto fraternal pode obscurecer a razão, afetar o julgamento e distorcer a memória", afirmou o Palácio em um comunicado que contribuiu para a publicidade em torno do livro.
AFILHADO DA RAINHA ELIZABETH
Spencer nasceu em uma família aristocrática britânica, com laços estreitos com a família real. A falecida rainha Elizabeth era sua madrinha.
Ele tinha 17 anos quando sua irmã, de 20 anos — que rapidamente se tornava a mulher mais fotografada do mundo —, casou-se com o então príncipe Charles em um casamento de conto de fadas em 1981. Spencer contou à CNN, em uma entrevista alguns anos depois, que na época estava mais interessado em "provas e praticar esportes na escola" do que no evento global.
O mundo, no entanto, ficou fascinado com o jovem casal, que teve dois filhos: William, em 1982, e Harry, dois anos depois. Mas, nos bastidores, o relacionamento desmoronou.
"Na verdade, eu não compreendia totalmente o quanto as coisas eram difíceis para ela às vezes", declarou Spencer ao programa Good Morning America em uma entrevista antes do lançamento do livro.
"Esse é um dos meus arrependimentos. Gostaria de ter feito mais para ajudá-la."
No início da década de 1990, a infelicidade de Diana já era manchete em todo o mundo, e ela e Charles usavam a mídia para fazer declarações um contra o outro. Eles se divorciaram em 1996.
Um ano depois, ela morreu, aos 36 anos, em um acidente de carro em Paris enquanto era perseguida por fotógrafos. Spencer aproveitou um discurso fúnebre muito elogiado no funeral dela para dizer a cerca de 2 bilhões de pessoas que assistiam ao redor do mundo que sua "magia única" significava que ela "nunca seria apagada de nossas mentes".
Suas palavras foram aplaudidas pelas dezenas de milhares de pessoas que ouviam pelos alto-falantes nas ruas de Londres, mas alguns de seus comentários sobre como a bondade de Diana era "ameaçadora" e como sua "família de sangue" precisaria proteger seus filhos deixaram a família real desconfortável.
"SURPREENDENTEMENTE PROVOCATIVO"
Qualquer boa vontade que ainda restasse entre as duas famílias após a morte de Diana provavelmente se perdeu após as novas alegações de Spencer sobre o rei Charles, que reacenderam as discussões sobre um dos períodos mais prejudiciais da história moderna da família real.
Ele escreve que Charles disse sobre Diana: "vamos esquecê-la em breve", antes de gritar com Spencer por sugerir que não se esperasse que William, então com 15 anos, e Harry, com 12, caminhassem atrás do caixão dela no funeral.
Spencer, que tem sete filhos de três esposas diferentes e se casou com sua quarta esposa no início deste ano, rebateu o questionamento do Palácio de Buckingham sobre sua memória.
"Foi surpreendentemente provocativo e um golpe baixo, porque, essencialmente, tentava dizer que eu havia mentido, sem que o rei pudesse negar o que eu havia dito", disse ele ao Daily Mail.
Depois de estudar história na Universidade de Oxford no início da década de 1980, Spencer trabalhou para a emissora norte-americana NBC News por uma década, apresentando programas de estilo de vida e viagens.
Ele herdou a mansão ancestral da família, com 30 quartos, no centro da Inglaterra, em 1992, quando seu pai faleceu, e começou a escrever livros de história no final da década de 1990; um deles foi indicado a um prêmio e muitos se tornaram best-sellers.
Sua carreira como escritor ajudou a custear a restauração da propriedade de Althorp, que pertence à sua família há cinco séculos e onde Diana está enterrada.
Em 2024, ele publicou um livro de memórias, "A Very Private School", que detalhou sua experiência de abuso sexual, negligência e isolamento enquanto estava no internato quando criança.
"Ao analisar os escombros do meu primeiro e do meu segundo casamento, aprendi logo no início da terapia que ter sido mandado para um colégio interno aos oito anos de idade significava que eu não tinha praticamente nenhuma compreensão do que é intimidade", escreve ele nesse livro.