Renata de Lélis viverá Jael na série bíblica "A Ira do Herdeiro", prevista para 2027 pela Record. Na trama, sua personagem enfrenta um casamento sem respeito em uma época de privação de direitos femininos, onde a força das mulheres residia na união privada e na fé. Progressista, a artista pesquisou o contexto de Judá para o papel e elogiou a produção. Além de atuar, Renata investe na direção com foco no protagonismo feminino e revelou o desejo de interpretar uma vilã em seus próximos trabalhos.
A atriz Renata de Lélis está se preparando para um novo desafio na televisão. Em A Ira do Herdeiro, série da Record em parceria com a Seriella, prevista para 2027, ela interpreta Jael, uma mulher que vive em uma época marcada pela falta de direitos e liberdade feminina. Na trama, a personagem enfrenta um casamento sem respeito e não encontra possibilidades de romper a união.
Ao estudar a personagem, a artista identificou diferenças entre a realidade histórica retratada na produção e sua própria visão de mundo. Em entrevista, ela também comentou os bastidores das gravações, a experiência de trabalhar com a equipe e revelou um desejo para os próximos trabalhos: interpretar uma vilã.
Renata de Lélis comenta casamento de Jael em 'A Ira do Herdeiro'
Na série, Jael representa mulheres comuns de sua época, que tinham pouca participação na vida pública e quase nenhuma influência política. Segundo Renata de Lélis, a personagem encontra apoio principalmente na união com outras mulheres.
"A Jael é uma personagem que representa muito bem as mulheres do povo da sua época. Elas não tinham muitos direitos nem força política. Não havia espaço na vida pública para elas; por isso, a força das mulheres se dava no âmbito privado, protegendo umas às outras e exercendo suas influências dentro do possível", explicou.
A atriz também destacou que sua personagem vive um relacionamento sem respeito, mas não tinha a possibilidade de se divorciar. Por isso, precisava encontrar acolhimento entre outras mulheres que compartilhavam sua fé.
"Era preciso aguentar e se unir ao pouco conforto e acolhimento que existia entre outras mulheres que comungavam da mesma fé que ela", contou.
Atriz revela visão sobre relacionamentos
Ao comparar a realidade de Jael com sua própria experiência, Renata ressaltou a importância das conquistas femininas e defendeu relações baseadas no respeito e na igualdade.
"Eu, Renata, sou uma mulher progressista. Vencemos muitas batalhas para conquistar os direitos que temos até os dias de hoje. Para mim, relacionamento se faz no companheirismo e em direitos iguais dentro de um casal", afirmou.
Para construir a personagem, a artista também contou com o apoio da direção, da equipe de arte e do figurino. Ela destacou especialmente o trabalho de Manga, que divide a direção da produção.
"O Manga trabalha com os atores para chegar a uma atuação profunda e clara. Está tudo lá. É muito bonito trabalhar com ele", elogiou.
Além disso, a atriz revelou que estudou a história da região, seus povos, culturas, divindades e conflitos para compreender melhor o universo da trama.
"Também busquei estudar muito a história da região, seus povos, culturas, deuses e conflitos. Gosto de fazer esse mergulho para me sentir lá, nessa Judá de 700 anos antes de Cristo", explicou.
A artista também elogiou o cuidado visual da produção e o trabalho dos profissionais envolvidos.
"A fotografia e a arte são realmente preciosas. É lindo ver tantos trabalhadores construindo uma bela história", declarou.
Renata de Lélis reencontra amigo em série bíblica
Durante as gravações de A Ira do Herdeiro, Renata de Lélis também teve a companhia do ator Edu Mendas, com quem trabalhou no filme A Nuvem Rosa. Embora os dois não contracenem na série, a proximidade foi especial para a artista.
"Só estar perto de amigos já dá mais segurança e alegria", comentou.
Além da atuação, Renata também desenvolve trabalhos como diretora. Protagonista de A Nuvem Rosa, longa que estreou no Festival de Sundance e lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival Internacional de Cinema da Fronteira, ela vem investindo em projetos autorais.
Um deles é Anfitriãs, produção que apresenta uma história sobre mulheres do Sul do Brasil.
Atriz fala sobre protagonismo feminino e revela desejo de interpretar vilã
Ao comentar seu trabalho como diretora, Renata destacou o interesse em contar histórias protagonizadas por mulheres. Para ela, durante muito tempo, o cinema apresentou personagens femininas apenas como apoio às trajetórias dos protagonistas masculinos.
"Eu amo contar histórias de mulheres, pois, por muito tempo, na tradição do cinema, as histórias foram contadas por homens, e as mulheres eram apenas suporte para os conflitos dos 'heróis'. Elas mesmas não tinham interesses próprios, estavam ali para alavancar o cara na história dele", refletiu.
A atriz acredita que esse cenário está mudando, especialmente com o crescimento da participação feminina na direção e no roteiro de produções audiovisuais.
Gaúcha, Renata também comentou os desafios de construir uma carreira fora do eixo Rio-São Paulo. Embora reconheça que estar nos principais centros de produção aumenta a visibilidade, ela deseja preservar os vínculos profissionais com seu estado de origem.
Por fim, a artista revelou qual personagem gostaria de interpretar em novos projetos. Apesar de considerar que qualquer papel pode representar um desafio, ela não esconde a preferência por personagens antagonistas.
"Pode parecer clichê, mas gostaria de fazer uma vilã. Já fiz algumas e adoro! Os vilões costumam ser muito divertidos também", concluiu.