Após o influenciador Felca expor seu título cancelado, a psicóloga Cristiane Belmonte esclareceu que a fobia social vai além da timidez e causa sintomas físicos e sofrimento limitante. O transtorno, diagnosticado clinicamente pelo medo do julgamento, pode sim impedir alguém de votar devido à aversão a filas e multidões, embora cada caso seja único. Além disso, a superexposição e os ataques nas redes sociais podem agravar a autocrítica e intensificar a ansiedade de quem sofre com essa condição.
O vídeo de Felca sobre fobia social abriu um debate que vai além das eleições. Após a repercussão do conteúdo e a exposição do título eleitoral cancelado do influenciador, muitos se perguntaram: afinal, o que é a fobia social e ela pode mesmo impedir alguém de ir votar? A psicóloga e neuropsicóloga Cristiane Belmonte, diretora da Belmonte Saúde, explica com exclusividade ao Mais Novela.
O que é fobia social
Segundo a especialista, fobia social, também chamada de transtorno de ansiedade social, é muito mais do que timidez. "Não se trata apenas de timidez ou vergonha, mas de um sofrimento que pode limitar significativamente a vida." Quem tem o transtorno pode passar dias preocupado com uma apresentação, entrevista, festa ou até uma conversa simples. Durante essas situações, pode apresentar tremores, suor excessivo, taquicardia, falta de ar, náuseas, vermelhidão e dificuldade para falar.
A diferença em relação à timidez está no impacto sobre a rotina. "Uma pessoa tímida pode sentir desconforto, mas consegue realizar suas atividades. Já quem apresenta fobia social pode evitar compromissos profissionais, encontros e situações cotidianas, mesmo desejando participar."
Como ela se desenvolve
O transtorno costuma surgir gradualmente, quando a pessoa começa a associar situações de exposição ao medo de ser julgada. Com o tempo, passa a antecipar essas situações como ameaças, e a fuga vira um ciclo. "O problema é que a evitação proporciona um alívio momentâneo, mas pode fortalecer o medo. Quanto mais a pessoa evita determinadas situações, menos oportunidades tem de perceber que consegue enfrentá-las."
Como é feito o diagnóstico
Não existe exame de sangue ou imagem para identificar a fobia social. O diagnóstico é feito por meio de avaliação clínica conduzida por psicólogo ou psiquiatra, que investiga os sintomas, a intensidade da ansiedade e os impactos na vida da pessoa. Questionários psicológicos podem auxiliar, mas não substituem a avaliação individualizada.
A fobia social pode impedir alguém de votar?
Essa foi a pergunta que tomou as redes após a exposição do título cancelado de Felca. Belmonte é direta: sim, é possível. "Pessoas com fobia social podem apresentar dificuldades para frequentar ambientes movimentados ou situações que envolvam contato com desconhecidos, filas e a sensação de estarem sendo observadas." Para alguém com ansiedade social intensa, uma atividade aparentemente simples pode provocar sofrimento antecipatório e vontade de evitar o compromisso.
A psicóloga, no entanto, faz um alerta importante: "Não é possível afirmar que tenha sido o motivo de uma ausência específica apenas com base em informações divulgadas publicamente." Cada caso é único.
A exposição nas redes pode piorar o quadro?
Para quem tem fobia social, receber críticas e ataques nas redes pode ser devastador. "Como o transtorno está relacionado ao medo de avaliações negativas, esse tipo de experiência pode intensificar a ansiedade e a autocrítica. Uma pessoa pode publicar um vídeo e depois passar horas analisando os comentários, preocupada com a possibilidade de ter cometido algum erro."
Isso não significa que a exposição digital seja sempre prejudicial. O impacto depende da intensidade dos sintomas e do suporte psicológico disponível. "O objetivo não é impedir a pessoa de se expor, mas permitir que ela faça suas escolhas sem ser dominada pelo medo da opinião dos outros."