Marina Lima surpreendeu ao reagir com deboche às reclamações de Paula Burlamaqui sobre as consequências do processo de envelhecimento.
Com recorrentes problemas de saúde, a atriz disse no podcast ‘Vozes do Retiro’ não ver “nada de bom” no avanço da idade. “É uma degradação.”
“Olha, nunca ouvi tanta tolice e gente rasa. A vida é bem mais que beleza. Vocês podem acordar? Já estão na idade. Afff”, postou a cantora no X.
“Me dá uma pena dela… Coitada. A não ser que ela morra cedo, a Paula está condenada ao seu inferno particular. Fica bem!”
Há uma linha tênue entre a liberdade de opinião e o ataque que gera um constrangimento desnecessário.
Paula tem o direito de não gostar de ver as transformações físicas impostas pela aproximação da velhice e fazer o que tem feito: falar abertamente do assunto em entrevistas.
Não é uma voz solitária. Pelo contrário: representa o pensamento e a situação atual de milhões de outras brasileiras afetadas pela queda do bem-estar depois dos 50 anos.
Cada vivência é única. Somente quem está na própria pele sabe das dores, das limitações e dos conflitos que enfrenta.
Romantizar a velhice ou generalizar a questão do envelhecimento é um desserviço.
Para uma mulher que foi símbolo de beleza, como Paula, há um peso extra ser obrigada a se despedir da imagem consagrada.
No ensaio ‘The Double Standard of Aging’, de 1972, a escritora e filósofa Susan Sontag destacou como o envelhecimento feminino gera opressão, já que as mulheres são educadas para parecer eternamente jovens.
“Cada ruga, cada linha, cada cabelo grisalho é uma derrota.”
Já os homens são elogiados pela experiência e o charme ao ganharem aparência mais velha.
Compreende-se, definitivamente, a decepção de Paula Burlamaqui com os desafios internos e estéticos trazidos pelo imparável tempo.
Em um aspecto, Marina Lima — que é um exemplo de dinamismo e produtividade aos 70 — está certa: trata-se de um inferno particular.
Portanto, cada um que cuide do seu e respeite o do outro.