A morte da influenciadora turca Nihal Candan, que chegou a pesar apenas 22,5 quilos, voltou a trazer à tona a gravidade da anorexia nervosa, transtorno alimentar que possui a mais alta taxa de mortalidade entre os distúrbios psiquiátricos. Aos 30 anos, Nihal perdeu a luta contra a doença que silenciosamente compromete o corpo de forma progressiva até que, literalmente, ele já não consegue mais se defender. Segundo o nutricionista Lucas Moraro, nos estágios finais, o organismo entra em colapso: o sistema imunológico falha, o coração enfraquece, a pressão arterial despenca, e há risco constante de morte súbita. Além disso, a perda extrema de gordura e massa muscular afeta os órgãos internos, o que pode levar a falência múltipla.
Casos como o de Nihal não são isolados. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a anorexia afeta cerca de 0,3% da população global, sendo mais comum entre mulheres jovens. No entanto, sua complexidade vai além do emagrecimento extremo. Trata-se de um distúrbio que exige acompanhamento psiquiátrico, psicológico e nutricional conjunto. Um dos grandes perigos do tratamento mal conduzido é a chamada "síndrome da realimentação", um colapso metabólico que pode ocorrer quando se reintroduz alimentos de forma brusca em corpos extremamente debilitados.
Estudos internacionais mostram que terapias baseadas na aceitação e na mudança de comportamento, como a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), têm obtido bons resultados, principalmente quando associadas ao suporte familiar e internação nos casos mais graves. Quando o tratamento é iniciado precocemente, até 50% dos pacientes conseguem alcançar remissão clínica dentro de dois anos. Mas é preciso atenção redobrada: a negação do problema por parte da pessoa acometida costuma atrasar o diagnóstico, agravando o quadro.
A tragédia envolvendo Nihal escancara a urgência de discutir saúde mental com profundidade, especialmente no ambiente das redes sociais, onde padrões estéticos irreais muitas vezes são promovidos como metas de sucesso. Combater a desinformação e promover empatia são passos essenciais para que outras vidas não se percam. A anorexia não é vaidade: é um transtorno grave, doloroso e que pode ser letal quando invisibilizado.