A nomeação de Isis Valverde ao prêmio Framboesa de Ouro, que aponta os piores do cinema, pode ser avaliada apressadamente como um revés para o início da carreira de uma atriz brasileira no exterior. Mas, na realidade, não há absolutamente nada do que a artista deva se envergonhar ou temer. Ninguém brilharia naquele papel coadjuvante em 'Código Alarum'.
Trata-se de sua primeira experiência na indústria norte-americana, em um filme que não permitiu a ela mostrar seu talento inquestionável, evidenciado em produções brasileiras como 'O Canto da Sereia', 'A Força do Querer' e 'Maria e o Cangaço'. Isis não está sendo julgada por sua capacidade artística, mas pelo contexto de um projeto que não a favoreceu. Ponto final.
É importante que ela não se abale emocionalmente nem dê ouvidos à onda de deboche de brasileiros que sentem prazer em ridicularizar artistas com ambições internacionais. A trajetória de atores e atrizes no mercado estrangeiro raramente é fácil ou linear. Várias grandes estrelas de Hollywood, como Halle Berry e Sandra Bullock, já foram contempladas com o Framboesa — e ninguém questiona, hoje, suas carreiras de sucesso.
O melhor caminho para Isis é reagir com bom humor e, mais do que isso, transformar a crítica em oportunidade. Como se costuma dizer, quando a vida dá limões, faça uma limonada. A indicação ao Framboesa pode ser usada como estratégia de marketing, projetando ainda mais seu nome na ante-sala de Hollywood e mostrando ao público internacional que uma atriz brasileira de destaque está em ascensão.
Se, no fim, a atriz mineira ganhar o Framboesa de Ouro, o Brasil deveria celebrar. Afinal, trata-se de um prêmio simpático, que faz parte da história de inúmeras celebridades que admiramos.