Influenciadora trans tem roupas doadas recusadas e denuncia transfobia

Influenciadora trans Suellen Carey relata que doação de roupas foi recusada após descobrirem que eram dela. Ela chama episódio de absurdo.

8 set 2026 - 18h46
Resumo
A influenciadora trans brasileira Suellen Carey denunciou ter sido vítima de transfobia após ter roupas doadas devolvidas em Londres. As peças, entregues junto a itens de uma amiga, estavam em bom estado e algumas nunca haviam sido usadas. A devolução ocorreu logo depois que os beneficiários descobriram a identidade trans de Suellen pelas redes sociais, enquanto os itens da amiga foram aceitos. O caso expõe como o preconceito permeia até atos de solidariedade. As roupas foram reintegradas ao acervo dela.

A influenciadora trans brasileira Suellen Carey, de 38 anos, que mora em Londres, contou nas redes sociais que teve roupas devolvidas depois que a pessoa que recebeu a doação descobriu, pelas redes, quem era a antiga dona das peças.

Fotos: Divulgação
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Foto: Famosos e Celebridades

Para ela, o problema não estava no estado das roupas, mas em quem as havia usado antes. "A roupa não estava suja, não estava estragada, não estava malfeita. A diferença, para as pessoas que receberam, foi que as peças já tinham sido usadas por mim", afirma.

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Como aconteceu a doação das roupas

Suellen explica que separou algumas roupas em bom estado e as enviou junto com peças que uma amiga também estava doando. A entrega, segundo ela, havia acontecido normalmente por meio dessa amiga.

A situação mudou quando identificaram, pelas redes sociais, que Suellen é uma mulher trans. "Descobriram pelas redes sociais que eu era uma mulher trans e simplesmente devolveram todas as roupas que eu tinha doado. Já as roupas da minha amiga não devolveram", conta.

Ela destaca que havia separado e identificado as peças que já tinham sido usadas e aquelas que ainda estavam sem uso. Mesmo assim, todas foram devolvidas, inclusive as que nunca haviam sido usadas.

"Muita gente pode pensar que a camisola é algo pessoal"

Em um dos relatos, Suellen mostra uma das peças que havia doado: uma camisola vermelha que, segundo ela, nunca chegou a ser usada. "Muita gente pode pensar que a camisola é algo pessoal, mas essa eu nunca usei."

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O episódio chamou atenção justamente porque evidencia um preconceito que vai além da higiene ou do estado das roupas. No caso, o "problema" apontado por quem recebeu a doação foi apenas o fato de as peças terem pertencido a uma mulher trans.

O que ela vai fazer com as roupas agora?

Como as peças voltaram para ela, Suellen diz que pretende voltar a usá-las. Já aquelas que ainda não haviam sido usadas passarão a fazer parte do próprio guarda-roupa.

"Como o mundo está louco", concluiu, em tom de desabafo sobre a situação.

Casos como o de Suellen Carey acendem o debate sobre transfobia no cotidiano, inclusive em gestos que, em teoria, deveriam ser solidários, como uma doação de roupas.

Nos últimos meses, outras influenciadoras trans também relataram situações de preconceito e agressão, reforçando que o problema é recorrente e precisa ser discutido abertamente.

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