Uma fala de Neymar voltou a gerar polêmica nas redes sociais e levantou críticas por possível teor machista. O episódio repercutiu ainda mais após o jogador compartilhar fotos com as filhas e um versículo bíblico, em meio às discussões sobre o comentário.
Para a psicóloga Anastacia Cristina Macuco Brum Barbosa, o caso não deve ser visto de forma isolada. "A fala não é um caso único. Ela revela um padrão cultural ainda muito enraizado, em que muitos homens cresceram ouvindo que 'ser homem' envolve dominar ou diminuir o outro", explica.
Segundo a especialista, esse comportamento costuma surgir sem reflexão. "Na maioria das vezes, não nasce de uma intenção consciente de ferir, mas de falta de repertório emocional e de modelos saudáveis de masculinidade", afirma.
Consciência e responsabilização
De acordo com a psicóloga, o primeiro passo para quebrar esse ciclo é reconhecer o problema. "É importante entender que esse tipo de fala não é 'normal', mas aprendido. O impacto importa mais do que a intenção", pontua.
Ela também destaca a importância do desenvolvimento emocional. "A mudança real acontece quando há inteligência emocional para lidar com frustrações, ego e inseguranças sem recorrer ao deboche ou à desvalorização do outro", explica.
Para a especialista, novas referências de masculinidade são fundamentais. "Modelos baseados em respeito, empatia e equilíbrio ajudam a romper esse padrão", afirma.
Ainda segundo Anastacia, quando não há esse movimento, o machismo segue sendo reforçado. "Ele aparece de forma sutil, e justamente por isso se torna tão comum e persistente. Com consciência e prática, esse padrão pode ser quebrado, não só no discurso, mas nas atitudes", conclui.