O ex-prefeito de Águas Lindas de Goiás, José Pereira Soares, foi condenado a mais de 53 anos de prisão por estupro de vulnerável continuado contra duas filhas entre 2016 e 2024. Apesar da pena e do histórico de ameaças de morte à família, ele poderá recorrer em liberdade sob medidas cautelares, como tornozeleira eletrônica, ordem de distanciamento e botão do pânico para as vítimas. A sentença também fixou o pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 20 mil para cada filha.
A Justiça brasileira impôs uma pena de 53 anos, 1 mês e 12 dias de reclusão em regime fechado a José Pereira Soares, ex-prefeito de Águas Lindas de Goiás. O político, de 66 anos, foi responsabilizado criminalmente pela prática continuada de estupro de vulnerável contra suas duas filhas na época em que ainda eram menores de idade. Sendo assim, embora a decisão de primeiro grau tenha estabelecido uma condenação severa, o réu foi autorizado a responder aos desdobramentos processuais em liberdade, sob o cumprimento de rígidas exigências cautelares.
De acordo com os autos do processo, as investigações foram impulsionadas após a denúncia formalizada pela ex-companheira do acusado. Diante disso, o trabalho conduzido pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) reuniu laudos psicológicos e depoimentos técnicos que atestaram a consistência dos relatos apresentados pelas jovens sobre os abusos ocorridos entre 2016 e 2024.
"Ele praticava os crimes quando estava sozinho com as vítimas. Uma delas tem 18 anos hoje e começou quando era criança. No mínimo, duas meninas vítimas", ponderou a delegada Tamires Teixeira ao esclarecer a dinâmica dos ataques durante a apuração.
Histórico de ameaças e monitoramento rigoroso
Além disso, o inquérito policial revelou episódios graves de intimidação praticados para tentar acobertar os atos ilícitos. Conforme os registros apresentados pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), o político realizou chamadas telefônicas direcionadas à ex-mulher com advertências violentas.
"Antes da polícia colocar a mão em mim, eu vou matar todo mundo, inclusive, o seu filho será o primeiro a morrer", e complementou com o aviso de que "Não vai sobrar ninguém vivo, vou matar todo mundo", relatou a acusação oficial com base nas transcrições telefônicas anexadas ao processo.
Contudo, mesmo diante da gravidade da pena imposta, o réu teve o direito de recorrer assegurado, desde que cumpra uma série de restrições severas. Dessa forma, as determinações judiciais incluem o monitoramento eletrônico por 180 dias, a proibição de aproximação e contato com as vítimas e testemunhas a menos de 300 metros, além da disponibilização obrigatória de um botão de pânico para proteção das filhas.
Por fim, a defesa técnica de José Pereira Soares informou que os recursos cabíveis já estão sendo protocolados junto ao Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), enquanto a Justiça também fixou o pagamento de uma indenização mínima de R$ 20 mil por danos morais a cada uma das vítimas.