Após dar à luz o terceiro filho, Tainá Militão relatou fortes cólicas pós-parto. Segundo o obstetra Paulo Noronha, essas dores são normais e decorrem da involução uterina, processo em que o útero contrai para retornar ao tamanho original, sendo comum tornarem-se mais intensas a cada nova gestação e durante a amamentação devido à ocitocina. Contudo, o médico alerta que febre, sangramento excessivo ou piora contínua da dor exigem avaliação médica imediata para afastar complicações.
Tainá Militão chamou atenção ao revelar que está enfrentando fortes cólicas após dar à luz Gabriel, seu terceiro filho e o primeiro com Éder Militão. A influenciadora contou que as dores estão diferentes dos pós-partos anteriores e que chegam a lembrar as contrações do trabalho de parto.
Gabriel nasceu no último fim de semana, em Madri, na Espanha. Nos dias seguintes, Tainá afirmou que está bem e feliz com a chegada do bebê. No entanto, também relatou inchaço, cansaço e cólicas mais fortes do que aquelas que sentiu após os nascimentos dos dois primeiros filhos.
Apesar do desconforto, essas contrações podem fazer parte da recuperação do organismo nos primeiros dias depois do parto. Segundo o ginecologista e obstetra Dr. Paulo Noronha, elas estão relacionadas à involução uterina, processo em que o útero começa a retornar gradualmente ao tamanho anterior à gestação.
"Durante a gravidez, o útero aumenta muito de tamanho para acomodar o bebê. Depois do nascimento, ele precisa iniciar um processo de contração para voltar progressivamente às suas dimensões anteriores. Por isso, é possível que a mulher sinta cólicas nos primeiros dias do puerpério. Algumas descrevem exatamente como pequenas contrações de parto, porque o mecanismo envolve a contração da musculatura uterina", explica.
Por que a cólica pode ser mais forte após o terceiro filho?
Um detalhe chamou atenção no relato de Tainá. A influenciadora afirmou que não se lembra de ter enfrentado dores tão intensas depois dos outros dois partos.
De acordo com Dr. Paulo Noronha, porém, essa diferença entre as gestações pode acontecer. Mulheres que já tiveram outros filhos podem perceber as contrações pós-parto com maior intensidade.
"Em mulheres que já tiveram outros filhos, o útero passou anteriormente por processos de distensão e involução. As contrações do pós-parto podem ser percebidas de maneira mais intensa nas gestações seguintes. Isso explica por que uma mulher pode praticamente não se lembrar dessas cólicas depois do primeiro filho e considerá-las bastante desconfortáveis depois do segundo ou do terceiro", afirma.
Além disso, a amamentação pode tornar essas contrações ainda mais perceptíveis. Isso acontece porque a sucção do bebê estimula a liberação de ocitocina, hormônio que também participa das contrações do útero.
"É relativamente comum a mulher colocar o bebê para mamar e perceber a cólica naquele momento. A ocitocina liberada durante a amamentação favorece a contração do útero. Embora possa causar desconforto, esse processo tem uma função importante na recuperação pós-parto", explica o obstetra.
Quando a dor merece atenção?
Embora as cólicas possam aparecer durante o puerpério, nem toda dor após o nascimento deve ser considerada normal. Por isso, alguns sinais exigem atenção.
Dor que aumenta de intensidade, febre, mal-estar importante, sangramento excessivo, secreção com odor desagradável ou um quadro que não apresenta melhora precisam de avaliação médica.
"O puerpério é um período de grandes mudanças no organismo e não devemos normalizar qualquer sintoma simplesmente porque a mulher acabou de ter um bebê. Se a dor é muito intensa, piora em vez de melhorar ou aparece acompanhada de febre, sangramento importante ou alteração do estado geral, é necessário procurar atendimento para descartar complicações", alerta Dr. Paulo Noronha.
O relato de Tainá Militão, portanto, chama atenção para uma fase da maternidade que muitas vezes recebe menos destaque. Enquanto as atenções se voltam para o recém-nascido, o organismo da mãe ainda passa por mudanças importantes.
"Existe uma expectativa de que, depois que o bebê nasce, o corpo simplesmente comece a voltar ao normal. Na realidade, o puerpério é uma continuação importante da assistência obstétrica. É uma fase que exige acompanhamento, descanso e atenção aos sinais que o organismo apresenta", conclui o ginecologista e obstetra.