O Tribunal de Justiça de São Paulo negou um novo habeas corpus a Deolane Bezerra, mantendo sua prisão preventiva sob acusações de lavagem de dinheiro e ligação com organização criminosa. A influenciadora segue detida no âmbito da Operação Vérnix. Diante da decisão, sua defesa anunciou que recorrerá ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), alegando inocência e sustentando que o caso deveria tramitar na Justiça Federal por envolver crimes transnacionais que afetam interesses da União.
A influenciadora e advogada Deolane Bezerra sofreu mais um revés judicial nesta terça-feira (27). O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) rejeitou um novo pedido de habeas corpus apresentado por sua defesa, mantendo a prisão preventiva da empresária, que está detida desde maio de 2026. Apesar do resultado desfavorável, os representantes legais afirmaram que continuarão buscando sua libertação.
Em comunicado encaminhado ao portal LeoDias, o advogado Aury Lopes Jr., responsável pela defesa de Deolane, informou que pretende recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). A equipe jurídica questiona a competência da Justiça estadual para conduzir o processo e sustenta que a manutenção da prisão é irregular.
Defesa de Deolane Bezerra contesta decisão judicial
Após a negativa do habeas corpus, os advogados da influenciadora manifestaram discordância em relação ao entendimento adotado pelo TJSP. Segundo a defesa, a natureza das acusações apresentadas contra Deolane exigiria que o caso fosse analisado pela Justiça Federal.
Aury Lopes Jr. argumenta que a denúncia envolve suspeitas de participação em organização criminosa de caráter transnacional, lavagem de dinheiro e sonegação. Na avaliação do advogado, essas circunstâncias levantam questionamentos sobre qual esfera do Judiciário deveria ser responsável pelo processo.
O defensor também esclareceu que o habeas corpus analisado nesta terça-feira tratava principalmente de uma discussão processual sobre a competência judicial, embora seus possíveis efeitos pudessem repercutir na situação da prisão preventiva.
A equipe jurídica sustenta que a influenciadora é inocente e afirma que ela não teve oportunidade de prestar depoimento durante a fase de inquérito.
Advogados anunciam recurso ao Superior Tribunal de Justiça
Diante da nova decisão, a defesa confirmou que pretende levar a discussão ao STJ. Em nota, os profissionais responsáveis pelo caso apresentaram os argumentos utilizados para contestar o entendimento da Justiça paulista.
"A defesa de Deolane Bezerra, patrocinada pelos advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes, discorda do entendimento adotado pelo TJSP acerca da incompetência da Justiça Estadual no julgamento de habeas corpus na data de hoje.
Trata-se de uma questão técnica que afeta diretamente a garantia constitucional do juiz natural e do direito ao devido processo. A própria acusação reconhece isso ao afirmar que os supostos crimes teriam caráter transnacional e afetado bens jurídicos de interesse da União. A evidente incompetência da Justiça Estadual também agrava a ilegalidade da prisão preventiva à qual Deolane está submetida, sendo uma prisão ilegal, abusiva e totalmente desnecessária.
Informa a defesa que pretende levar a discussão para o STJ e reafirma que Deolane é inocente das imputações que lhe são feitas e demonstrará isso no curso do processo, já que nunca pôde se defender no inquérito, onde sequer foi ouvida".
Influenciadora está presa desde maio de 2026
Deolane Bezerra foi presa preventivamente em 21 de maio deste ano, durante uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa supostamente ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A investigação faz parte da Operação Vérnix, que apura possíveis movimentações financeiras ilícitas e a utilização de empresas para ocultar a origem de recursos.
Segundo as autoridades, a influenciadora teria mantido relações financeiras e comerciais com pessoas investigadas no suposto esquema. A defesa, por sua vez, nega as acusações e questiona os fundamentos utilizados para justificar a prisão.
Desde a detenção, os advogados têm apresentado medidas judiciais na tentativa de obter a liberdade da empresária. Pedidos anteriores também foram rejeitados, incluindo duas solicitações analisadas pelo STJ em outubro.
Caso pode ter novos desdobramentos
Com a decisão desta terça-feira, Deolane permanece presa preventivamente, enquanto seus representantes preparam uma nova tentativa de contestar o processo em instância superior.
A estratégia anunciada concentra-se na discussão sobre a competência da Justiça estadual e na alegação de que a prisão preventiva não atende aos requisitos legais necessários para sua manutenção.
A apresentação de um novo recurso, entretanto, não garante a libertação imediata da influenciadora. Caberá ao Superior Tribunal de Justiça avaliar os argumentos apresentados pela defesa e decidir sobre eventuais consequências para o andamento do processo.
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