O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido artisticamente como Oruam, não deve se apresentar à Justiça nos próximos dias, mesmo após a emissão de um novo mandado de prisão contra ele. A decisão gerou grande repercussão, uma vez que o músico já vinha cumprindo medidas alternativas à prisão, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, que foram recentemente revogadas.
A informação foi confirmada pela defesa do artista, que foi procurada pela reportagem da Band logo após a decisão judicial. Em nota, os advogados reafirmaram que "não há previsão de entrega voluntária" nos próximos dias, destacando que a equipe jurídica do rapper está acompanhando de perto todos os trâmites do processo e avaliando possíveis recursos.
A determinação partiu do ministro Joel Ilan Paciornik, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que rejeitou o habeas corpus apresentado em favor do músico. Com isso, perdeu efeito a liminar que permitia o cumprimento de medidas alternativas à prisão preventiva, adotadas anteriormente em razão do monitoramento eletrônico. Esse revés representou um passo importante na escalada do caso, que agora considera o artista como foragido.
Na terça-feira (3/2), agentes da Polícia Civil cumpriram mandados de busca em diversos endereços ligados a Oruam, incluindo sua residência localizada no bairro da Freguesia, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Apesar das diligências e do esforço das autoridades, o rapper não foi localizado. A ausência do artista nas buscas fez com que ele fosse oficialmente considerado foragido, o que significa que a polícia agora intensificará os esforços para encontrá-lo, monitorando rotas, redes sociais e possíveis contatos próximos.
O processo que resultou na prisão do músico detalha uma série de descumprimentos das condições impostas pela Justiça. Entre os apontamentos da juíza Tula Melo estão falhas frequentes no monitoramento eletrônico e registros de deslocamentos durante a madrugada, período em que Oruam deveria permanecer em recolhimento domiciliar. As informações foram reveladas com exclusividade pela coluna e indicam que as irregularidades não ocorreram isoladamente, mas de forma recorrente ao longo do período de monitoramento.
Os relatórios judiciais também apontaram longos intervalos em que a tornozeleira eletrônica não emitia qualquer sinal. A defesa do artista sustenta que os problemas teriam ocorrido devido a falhas técnicas no equipamento, alegando que a tornozeleira "não estaria carregando adequadamente". Os advogados reforçaram que a intenção de Oruam era cumprir as medidas, mas que problemas de funcionamento do dispositivo teriam comprometido o monitoramento.
Por outro lado, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou à Justiça que, após análise detalhada, o equipamento apresentava funcionamento regular e não havia indícios de defeito. O órgão ressaltou que os sinais de irregularidade foram investigados e que o monitoramento eletrônico funcionava conforme previsto, o que contradiz a alegação da defesa.
Especialistas em segurança e direito criminal observam que casos como o de Oruam costumam gerar debates sobre a eficácia de medidas alternativas à prisão, como tornozeleiras eletrônicas, e sobre os limites da atuação judicial em situações de descumprimento. No caso do rapper, o conflito entre alegação de falha técnica e o relatório oficial da Seap intensifica o impasse, dificultando uma solução rápida.
Enquanto isso, a Polícia Civil continua investigando e buscando localizar Oruam, avaliando possíveis rotas de fuga e contatos do artista. A situação coloca o rapper em evidência e torna o caso um dos mais comentados do cenário musical e judicial do Rio de Janeiro, com repercussão significativa em mídias sociais e veículos de comunicação.