Apesar do aumento nas buscas digitais e da acusação da PGR de que Jair Bolsonaro sabia e anuiu ao plano Punhal Verde e Amarelo — que previa o assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes —, o ex-presidente não foi condenado por ordenar essas mortes. Sua condenação pelo STF a 27 anos de prisão, atualmente cumprida em regime domiciliar humanitário, refere-se a crimes ligados à tentativa de golpe de Estado de 2022, na qual foi apontado como líder de organização criminosa. Sua defesa nega os atos.
A frase "Bolsonaro mandou matar Lula" registrou um aumento nas buscas do Google após o deputado federal André Janones (Rede-MG) incentivar integrantes de um grupo de WhatsApp chamado Exército do Lula a pesquisarem o termo. A mobilização trouxe novamente à discussão o plano conhecido como Punhal Verde e Amarelo, investigado pela Polícia Federal (PF) durante a apuração da tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
O planejamento previa os assassinatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tinha conhecimento da operação e concordou com ela.
Apesar das acusações, Bolsonaro não foi condenado especificamente por ordenar o assassinato de Lula ou das outras autoridades. A condenação do ex-presidente, determinada pelo STF em setembro de 2025, refere-se a cinco crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado.
O que foi o plano Punhal Verde e Amarelo?
O plano Punhal Verde e Amarelo foi identificado pela Polícia Federal durante as investigações sobre a tentativa de impedir a posse do governo eleito em 2022. O documento foi elaborado pelo general da reserva Mário Fernandes, que ocupava um cargo na Secretaria-Geral da Presidência da República durante o governo Bolsonaro.
De acordo com as investigações, o material foi impresso no Palácio do Planalto em 9 de novembro de 2022 e detalhava ações contra Lula, Alckmin e Moraes. Entre os preparativos identificados estavam o monitoramento das autoridades e propostas de execução que envolviam armas de fogo, explosivos e envenenamento. Segundo a PGR, a operação não foi executada porque os envolvidos não conseguiram obter o apoio necessário do comando do Exército.
Bolsonaro sabia do plano para matar Lula?
Na denúncia apresentada ao STF em fevereiro de 2025, a Procuradoria-Geral da República afirmou que Jair Bolsonaro tinha conhecimento do planejamento e havia concordado com a operação. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, declarou que o plano foi apresentado ao então presidente, "que a ele anuiu".
A afirmação integra a acusação formulada pela PGR no âmbito das investigações sobre a trama golpista. A defesa de Bolsonaro, por sua vez, nega que o ex-presidente tenha participado do planejamento ou autorizado os assassinatos.
É importante distinguir a acusação de conhecimento e concordância com o plano de uma decisão judicial que estabeleça que Bolsonaro tenha dado uma ordem direta para matar Lula.
Bolsonaro foi condenado por mandar matar Lula?
Não. Jair Bolsonaro não recebeu uma condenação específica por ordenar o assassinato de Lula, Geraldo Alckmin ou Alexandre de Moraes.
Em setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou o ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado contra o patrimônio público;
- Deterioração de patrimônio tombado.
O julgamento terminou com quatro votos a um. Na decisão, o STF apontou Bolsonaro como líder da organização criminosa envolvida na trama golpista.
Portanto, embora o plano contra Lula, Alckmin e Moraes tenha sido investigado no contexto da tentativa de golpe, a condenação do ex-presidente não corresponde a uma sentença específica por ter ordenado os assassinatos.
Quem foi condenado pela trama golpista?
Além do julgamento de Bolsonaro, o STF analisou a participação de outros investigados na tentativa de golpe de Estado.mEm novembro de 2025, a Corte condenou nove dos dez réus do chamado núcleo 3, formado principalmente por militares ligados às Forças Especiais do Exército.
O general da reserva Estevam Theophilo Gaspar de Oliveira foi absolvido por insuficiência de provas. As decisões fazem parte dos desdobramentos das investigações conduzidas após as eleições presidenciais de 2022.
Qual é a situação de Jair Bolsonaro em 2026?
Jair Bolsonaro começou a cumprir sua pena em novembro de 2025. Em 2026, passou ao regime de prisão domiciliar humanitária, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal em razão de questões de saúde. Em outubro deste ano, a defesa do ex-presidente apresentou um pedido de revisão criminal com o objetivo de anular a condenação.
Os advogados alegaram a existência de novos elementos e também solicitaram a suspensão do cumprimento da pena enquanto o pedido é analisado. A discussão sobre o plano Punhal Verde e Amarelo voltou a ganhar repercussão após a mobilização promovida por André Janones, mas permanece fundamental diferenciar as acusações apresentadas pela PGR dos crimes pelos quais Bolsonaro foi efetivamente condenado.
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