O problema de falar sobre filósofos que viveram há dois milênios é que você pode encontrar citações atribuídas a eles, mas que, na verdade, não são deles.
Ou citações que parecem se encaixar no pensamento deles, mas que eles não disseram. O mais comum é que acabemos recebendo uma citação apócrifa, uma frase de autenticidade duvidosa, como acontece com "a pobreza não vem da diminuição das riquezas, mas da multiplicação dos desejos", atribuída a Platão.
Ela não aparece literalmente em nenhum texto platônico preservado e chegou até nós como uma citação de autoajuda pouco confiável. O curioso é que a ideia central dessa frase é, de fato, uma das mais recorrentes em sua obra. E sua visão sobre os desejos é bem mais sofisticada e muito mais reflexiva.
O círculo vicioso dos desejos
Em seu livro "Górgias", Platão descreve um diálogo entre Sócrates e Cálicles. O pensador sofista, Cálicles, defende que "quem quiser viver bem deve deixar que seus desejos atinjam a maior intensidade e não reprimi-los".
Sócrates responde que permitir que os desejos atinjam a máxima intensidade e satisfazê-los é uma vida terrível, "semelhante à de um barril furado que não consegue conter nada, obrigando seu dono a enchê-lo dia e noite, sem cessar", porque a alma que vive dominada por desejos sem limites é como o barril furado.
Não importa o quanto você coloque dentro, pois ela sempre estará vazia. Surpresa: a psicologia deu razão a Platão e a Sócrates.
Em 1971, os psicólogos Philip Brickman e Donald Campbel...
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