Cinco anos antes de sua morte, Val Kilmer (1959—2025) havia sido escalado para viver o padre Fintan em As Deep as the Grave, mas problemas de saúde causados por um câncer de garganta o impediram de filmar. Agora, o longa dirigido por Coerte Voorhees realiza essa escolha original de forma inédita: o ator foi recriado por inteligência artificial e terá um papel significativo na versão final.
A produção contou com o apoio direto da família de Kilmer, incluindo sua filha Mercedes Kilmer, que afirmou que o pai acreditava no projeto e via a tecnologia como uma forma de expandir as possibilidades do cinema. Utilizando imagens de diferentes fases da vida do ator e recriando sua voz — afetada nos últimos anos —, o filme busca construir uma ponte entre a condição real de Kilmer e a de seu personagem, que sofre de tuberculose.
Baseado na história real dos arqueólogos Ann e Earl Morris, o longa acompanha escavações no Arizona em busca das origens do povo Navajo. O elenco inclui nomes como Tom Felton (franquia Harry Potter) e Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine). Inicialmente, as cenas do personagem de Kilmer haviam sido cortadas por limitações orçamentárias, mas a equipe decidiu retomá-las ao perceber sua importância narrativa — o que levou à adoção da IA como solução.
A decisão, no entanto, não escapa à polêmica. Em meio a um debate crescente sobre o uso de inteligência artificial na indústria audiovisual, especialmente em relação a direitos de imagem e emprego de atores, os realizadores defendem que seguiram diretrizes do SAG-AFTRA e remuneraram o espólio do artista. A expectativa é que o filme sirva como exemplo de uso ético da tecnologia, ainda que divida opiniões dentro e fora de Hollywood.
Fonte: Variety