'Rooster', com Steve Carell, é comédia esperançosa sobre relação de pai e filha; leia entrevista

Série estreia neste domingo, 8, na HBO e na HBO Max; 'Estadão' conversou com Bill Lawrence e Matt Tarses, criadores da atração

11 mar 2026 - 12h06

Rooster, que estreia neste domingo, 8, na HBO e na HBO Max, não é a típica comédia de pais e filhos que existe aos montes na TV americana. Não há crianças ou adolescentes em idade escolar - mas sim um escritor de meia-idade, Greg Russo (Steve Carell), e sua filha Katie (Charly Clive), professora de uma universidade de prestígio.

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Em meio à conturbada separação da filha, Greg aceita dar uma palestra na instituição em que ela leciona, como forma de se aproximar. Naturalmente, sua estadia por lá acaba por se prolongar, muito por conta de seu desejo de apoiar Katie, cujo marido Archie (Phil Dunster) a deixou para ficar com uma aluna da pós-graduação.

Steve Carell é protagonista de 'Rooster', série da HBO
Steve Carell é protagonista de 'Rooster', série da HBO
Foto: HBO/Divulgação / Estadão

A premissa é trabalhada com um humor sensível e reconfortante, ao estilo de Ted Lasso e Falando Real. Não por acaso, já que Rooster foi criada pelo homem por trás de ambas: Bill Lawrence, veterano da TV americana que, na nova produção, divide os créditos com Matt Tarses, seu parceiro em Scrubs.

"Nós não somos bons em escrever coisas com as quais não estejamos pessoalmente conectados", brinca Lawrence em entrevista ao Estadão e a outros veículos internacionais. Ele, Tarses e Carell, que é também produtor executivo da série, compartilham de algo em comum: todos são pais de jovens adultas. "Elas estão em uma idade em que não precisam tanto da interferência paterna, e nem a querem. E estamos todos tentando entender o que isso significa, sem ser intrusivos".

No melhor exemplo de como a vida imita a arte, tanto a filha de Tarses como a de Carell trabalharam em Rooster: a primeira atuou como uma estudante, enquanto a segunda trabalhou ao lado da equipe técnica. A filha de Lawrence, por sua vez, é cantora - quando conversou com a imprensa, o roteirista havia acabado de voltar da Europa, onde a acompanhou em turnê. "É um momento estranho em que você quer estar hiper-envolvido, mas elas estão se distanciando. E a verdade é que você finge que está fazendo isso por elas, mas na verdade é por você mesmo".

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Steve Carell e Charly Clive na série 'Rooster'
Foto: HBO/Divulgação / Estadão

Greg, personagem de Carell, busca retomar essa proximidade com a filha ao mesmo tempo em que se adapta ao ambiente universitário. Há novos colegas, como a professora Dylan Shepard (Danielle Deadwyler) e o reitor Walter Mann (John McGinley), e a novidade da inserção em um ambiente acadêmico, não totalmente aberto aos livros de ação escritos por ele - é o herói criado por Greg, inclusive, que dá seu nome à série.

"A universidade parecia o lugar perfeito para uma pessoa em processo de se reinventar, mudar e evoluir porque a vida não correspondeu a todas as suas expectativas", reflete o cocriador Matt Tarses. "Era o que a faculdade representava para mim quando era jovem, e acho que ainda cabe como metáfora mesmo para pessoas nos seus 30 e poucos anos, como nós", completa, brincando com o fato de ele e Lawrence já estarem chegando aos 60.

O 'politicamente correto' e o humor otimista

O ambiente universitário também se mostra um cenário propício para explorar novos códigos de conduta e o que seria "politicamente correto" nos dias de hoje. Em uma cena cômica, Greg é levado ao conselho disciplinar após se referir à uma aluna, resistente à sua literatura, como sua "baleia branca", uma alusão a Moby Dick.

Terreno fértil para um humor baseado no choque geracional, o tema é tratado de forma leve por Rooster, com Greg desajeitadamente, mas com boa vontade, tentando compreender como o mundo mudou. "Ele não só é bem intencionado como também está curioso para aprender isso", nota Tarses.

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Os dois criadores da série, inclusive, se identificam com o protagonista nesse sentido. "Eu sei que se fizéssemos Scrubs de novo, com o mesmo tom e as mesmas piadas, não seria bom", diz Lawrence, que acaba de estrear uma nova temporada da sitcom médica. "O mundo muda, o zeitgeist muda. Acho que você ainda tem que ser corajoso, e que o engraçado sempre vence (...) Me dá muita alegria ver pessoas tentando navegar isso com boa intenção, porque estou fazendo isso todos os dias".

Os criadores também fazem do otimismo uma característica do humor da produção. "Você não pode ignorar o quão caótico e sombrio o mundo parece agora", diz Lawrence, que conversou com o Estadão e a imprensa na última segunda-feira, 2 - dois dias após o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. "Não quero soar muito filosófico, mas sinto que manter a esperança e o otimismo são escolhas. A outra opção nem é uma opção para mim".

Ele segue: "Espero que, colocando o desejo de que o mundo seja um lugar esperançoso e otimista, pessoas suficientes vejam que ser gentil ainda é importante, que tratar amigos como sua família ainda é importante. Eu espero que não seja um movimento ingênuo. Eu ficaria muito triste se fosse o caso".

A opinião é compartilhada por Tarses, que diz que os dois têm uma tendência a escrever histórias mais esperançosas. "Nós dois temos um cinismo imbuído dentro de nós, mas tendemos mais à esperança, ao otimismo, é o que gostamos. Mesmo que a gente tente não escrever dessa forma, é o que acabamos fazendo".

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Rooster terá novos episódios exibidos aos domingos, às 23h, na HBO e na HBO Max.

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