Em 2023, Melissa Barrera, estrela de Pânico (2022) e Pânico VI (2023), declarou apoio à Palestina nas redes sociais após os ataques de 7 de outubro na Faixa de Gaza. Ela publicou pedidos de paz e criticou o governo israelense pelo assassinato de civis palestinos, compartilhando links para doações a organizações de direitos humanos e artigos que acusavam Israel de genocídio. Em pouco tempo, a atriz foi demitida de seu projeto em andamento, Pânico 7.
Agora, três anos depois, a atriz relembrou o período, e revelou que recebeu muitas mensagens privadas de apoio na época — mas quase nenhum apoio público.
Em entrevista à Variety, Barrera afirma que enfrentou incertezas por quase um ano após a demissão, quando não recebia nenhuma boa proposta de trabalho. "Como fui uma das primeiras a me manifestar [a favor da Palestina], até hoje ainda há muita gente na indústria que guarda rancor de mim", afirmou.
"Passei por 10 meses torturantes de incerteza, sem trabalho, sofrendo e sem nem saber se minha equipe estava do meu lado. Foi terrível", continuou. Quando questionada se recebeu apoio da indústria, ela respondeu: "Essa não é a realidade… Recebi algumas mensagens de apoio de pessoas do setor, mas o que descobri é que mensagens privadas sem nenhuma ação concreta não significam nada."
Em retrospectiva, a estrela pensa que foi o "bode expiratório" perfeito para o "boicote" da indústria. "Sou uma mulher negra. Estou em ascensão, mas não tenho um nome suficientemente grande para ser intocável, para que possam me usar como exemplo", disse. "Sou conhecida o suficiente para que possam escrever artigos e criar toda a propaganda sensacionalista de que precisam, mas também não o suficiente para que as pessoas se importem, se revoltem ou façam algo na indústria por mim".
Após algum período distante das telas, Barrera retornou aos trabalhos com o thriller de sobrevivência Black Tides, que ao lado de John Travolta e chega aos cinemas brasileiros em outubro de 2026. Mas ela atribui a reascensão de sua carreira ao rapper e cineasta Boots Riley (Sorry to Bother You).
"Eu adoro ele. Ele me mandou uma mensagem em agosto de 2024 dizendo: 'Tenho um papel para você no meu filme'. E me ofereceu um papel em I Love Boosters".
Esse foi um ponto de virada para Barrera: "Por algum motivo, depois que Boots me mandou essa mensagem, de repente recebi cinco mensagens com ofertas na minha caixa de entrada. Foi como se ele tivesse apertado um interruptor. Eu o chamo de 'O Mágico'. A energia mudou."
A atriz acabou não aceitando o papel, pois recebeu uma proposta melhor para a série The Copenhagen Test, mas ainda dá crédito ao diretor. "Ele é literalmente a única pessoa na indústria que entrou em contato e disse: 'Deixa eu te ajudar'".
Hoje, Barrera está atuando atuando no musical da Broadway Titaníque — paródia musical do filme vencedor do Oscar de 1997, Titanic — como a personagem Rose.
Entenda que aconteceu com Melissa Barrera
Em novembro de 2023, Barrera foi demitida de Pânico 7 (2026) após fazer publicações pró-Palestina em suas redes sociais. "Venho de um país colonizado", escreveu a atriz, acrescendo o emoji de uma bandeira do México, em referência ao seu país natal. "A Palestina vai ser livre! Eles tentaram nos enterrar, [mas] mal sabiam que éramos sementes", continuou.
"Gaza está sendo tratada, atualmente, como um campo de concentração", disse em outra publicação. "Encurralar todos juntos, sem ter para onde ir, sem eletricidade, sem água… As pessoas não aprenderam nada com a nossa história. E, assim como nossas histórias, as pessoas ainda assistem silenciosamente a tudo acontecer. ISSO É GENOCÍDIO E LIMPEZA ÉTNICA", finalizou.
Segundo a Spyglass Media Group, produtora de Pânico 7, Barrera teria sido demitida por "incitação ao ódio": "A posição da Spyglass é inequivocamente clara: temos tolerância zero ao antissemitismo ou à incitação ao ódio sob qualquer forma, incluindo falsas referências ao genocídio, depuração étnica, distorção do Holocausto ou qualquer coisa que ultrapasse flagrantemente a linha do discurso de ódio", declarou em comunicado na época.
Em sua entrevista recente à Variety, Barerra respondeu à nota:
[As pessoas que me acusaram de antissemitismo e as pessoas que dirigem a Spyglass] ainda negam que o que está acontecendo seja um genocídio. Portanto, nunca chegaremos a um consenso sobre isso. Elas estão erradas. Completamente erradas.
A estreia de Pânico 7 em Los Angeles foi marcada por protestos de pessoas que exigiam um boicote ao filme em resposta à demissão de Barrera. Apesar disso, a atriz reitera seu carinho pelo tempo em que participou da franquia.
"A verdade é que Pânico sempre será uma parte importante de mim, porque foram dois anos da minha vida, me deu muito, e sou grata especialmente a Matt [Bettinelli-Olpin] e Tyler [Gillett] que me deram essa oportunidade. Isso não se tornou amargo para mim. Eles não têm esse poder".