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Jorge Furtado explica por que seus filmes não têm vilões: 'Eu torço por todos os personagens'

Diretor de Muito Prazer fala à Rolling Stone Brasil sobre a complexidade moral de seus personagens

1 set 2026 - 18h16
Resumo
Em cartaz com a comédia "Muito Prazer", o cineasta Jorge Furtado explicou que evita vilões tradicionais em sua filmografia por não acreditar em pessoas totalmente boas ou más. O diretor prefere focar nas contradições e na complexidade humana, criando figuras ambíguas pelas quais torce e que geram empatia. Ao misturar humor, romance e dilemas contemporâneos, a obra aposta na zona cinzenta da moralidade para convidar o espectador a refletir sobre como agiria nas mesmas situações.

Em Muito Prazer, nova comédia de Jorge Furtado que já está em cartaz nos cinemas, não existem antagonistas tradicionais. Mesmo quando os personagens tomam decisões moralmente questionáveis, o diretor evita colocá-los em polos de heróis e vilões, uma escolha que, segundo ele, acompanha toda a sua filmografia.

Jorge Furtado
Jorge Furtado
Foto: Rolling Stone Brasil / Rolling Stone Brasil

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Furtado explicou que nunca acreditou em personagens completamente bons ou completamente maus. Para o cineasta, o interesse está justamente nas contradições humanas e na possibilidade de o público enxergar diferentes perspectivas dentro da mesma história.

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'As pessoas são complexas'

Ao comentar a ausência de vilões em seus filmes, Jorge Furtado lembrou uma observação feita pelo diretor Domingos Oliveira, que percebeu esse padrão em sua obra.

"Isso é engraçado, porque eu vi uma vez o Domingos Oliveira. Ele disse: 'Entendi os teus filmes, você não tem vilão nenhum'. Realmente, eu não tenho vilões nos filmes."

O diretor afirmou que prefere construir personagens ambíguos, capazes de despertar empatia mesmo quando erram.

"Eu não acredito muito em gente que é totalmente ruim, gente que é totalmente boa. Eu acho que as pessoas são complexas. Às vezes são boas e às vezes elas são ruins. Eu torço por todos eles. Eu sou a favor de todos os personagens."

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Um convite para o público se questionar

Para Furtado, essa abordagem faz com que o espectador participe ativamente da narrativa, refletindo sobre como reagiria diante das mesmas situações vividas pelos personagens de Muito Prazer.

"A gente gosta deles. Eles estão fazendo coisas horríveis, mas quem sabe eu, na situação? Então tu alivia o lado deles. Eu acho isso bom."

O diretor ainda cita duas personagens do motel onde a trama se desenrola como exemplo dessa lógica: elas não funcionam como vilãs da história, apenas perseguem seus próprios interesses e motivações.

Misturando humor, romance e discussões sobre algoritmos, sexualidade e relações contemporâneas, Muito Prazer aposta justamente nessa zona cinzenta da moralidade para provocar o público sem abrir mão da leveza característica do cinema de Jorge Furtado.

Rolling Stone Brasil
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