Dirigido por Scott Waugh, "Três Horas para Viver" traz Alan Ritchson como um veterano que enfrenta criminosos para transportar um órgão em tempo recorde. Embora tenha um roteiro previsível e excessos dramáticos, o longa compensa com cenas de ação brutais, ritmo ágil e bom humor. Sem reinventar a fórmula do gênero, o filme se sustenta pelo carisma do protagonista e pela atuação canastrona e divertida de Rodrigo Santoro, funcionando como um entretenimento despretensioso e eficiente.
Filmes de ação não precisam reinventar o gênero nem apresentar uma trama especialmente elaborada para justificar a sucessão de perseguições, explosões e brigas coreografadas. Basta que tenham ritmo, atores carismáticos e alguma disposição para abraçar o absurdo. É o caso de Três Horas para Viver, longa que estrou nesta quinta, 29, e que coloca Alan Ritchson, o protagonista da série Reacher, em uma corrida contra o tempo para salvar uma vida — e Rodrigo Santoro no papel mais canastrão e divertido de sua carreira.
Na trama, Ritchson interpreta Hank Malone, um veterano militar que trabalha no transporte de órgãos e recebe a missão de levar uma encomenda vital até uma paciente em estado crítico. O que deveria ser uma operação relativamente simples se transforma em uma perseguição quando um grupo de criminosos decide roubar o órgão. Com apenas três horas para cumprir a tarefa, Hank precisa recorrer às habilidades que jurou deixar para trás, enquanto tenta sobreviver a uma sucessão de emboscadas.
Entre a pancada e a risada
Dirigido por Scott Waugh, do fraquíssimo Os Mercenários 4, o filme não faz muita questão de disfarçar suas referências. A estrutura é familiar, os vilões são convenientemente ameaçadores e o protagonista parece ter sido desenhado para atravessar paredes com os ombros. Ritchson, com seu porte físico avantajado e a expressão permanentemente fechada, é um sujeito que parece capaz de resolver qualquer problema com um soco. E, na maior parte do tempo, é exatamente isso que faz.
Sem respiros
O problema é que Três Horas para Viver nem sempre sabe quando parar. Se as sequências de ação têm energia e a montagem mantém a história em movimento, o roteiro recorre a situações previsíveis e reviravoltas que pouco acrescentam ao conjunto. Há também uma insistência em sublinhar o lado sentimental de Hank, como se fosse necessário lembrar constantemente ao espectador que, por trás daquela máquina de distribuir socos, existe um homem atormentado pelo passado. A tentativa de acrescentar peso dramático funciona em alguns momentos, mas também torna a narrativa mais açucarada do que precisava ser.
Ainda assim, o filme encontra seu lugar quando deixa de tentar conferir grandeza à própria história e se concentra no que sabe fazer. As cenas de combate são eficientes, a violência tem um grau de brutalidade que contrasta com as tiradas cômicas e a contagem regressiva oferece um motor simples para a ação. Não há muito a descobrir por trás da premissa, mas existe prazer em acompanhar uma produção que não perde tempo tentando transformar uma missão de resgate em uma reflexão profunda sobre a condição humana.
No fim, Três Horas para Viver é um daqueles exemplares de cinema de ação que funcionam melhor quando vistos sem grandes expectativas. Não reinventa a fórmula, não oferece personagens particularmente complexos e tampouco deixa uma impressão duradoura. Mas entrega uma dupla central simpática, pancadaria competente e um Rodrigo Santoro disposto a se divertir com o próprio exagero. Às vezes, para um filme como esse, já é o bastante.